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Para Trump, fronteira fechada eleva emprego; economistas negam

Michelle Jamrisko

(Bloomberg) -- O presidente americano Donald Trump reiterou afirmações de que restrições à imigração beneficiarão a economia americana. Os economistas discordam vivamente.

Gente sem permissão para trabalhar já está sendo detida e deportada, dentro de um plano amplo para conter o fluxo de pessoas para o país, afirmou Trump a uma sessão conjunta do Congresso na terça-feira (28). Segundo ele, essa operação e medidas para renovar as regras de imigração legal vão melhorar a perspectiva de emprego e salário para os cidadãos americanos.

"Ao finalmente aplicar nossas leis de imigração, vamos elevar salários, ajudar os desempregados, economizar bilhões de dólares e tornar nossas comunidades mais seguras para todos", ele declarou. "Queremos que todos os americanos sejam bem sucedidos -- mas isso não pode acontecer em um ambiente de caos sem lei."

As afirmações do presidente contradizem estimativas de economistas de que a imigração pode acelerar o crescimento econômico ao aumentar a baixa taxa de participação na força de trabalho e a produtividade em geral.

Trump acertou quando afirmou que 94 milhões de americanos estão fora da força de trabalho, mas o número inclui aposentados e estudantes que talvez prefiram não trabalhar neste momento.

Aposentadoria em massa

Nos últimos anos, o mercado de trabalho dos EUA enfrentou desafios estruturais significativos: a aposentadoria em massa da geração nascida logo após a Segunda Guerra Mundial, o maior número de incapacitados em meio à epidemia de drogas à base de ópio e um exército de desempregados de longo prazo que ainda luta para voltar à ativa após a recessão de 2007-2009.

Mais restrições duradouras à imigração significam que a economia americana pode sofrer com uma queda ainda maior na produtividade e na expansão da mão de obra, afirmou o economista Daan Struyven, do Goldman Sachs Group, em pesquisa publicada em 15 de fevereiro.

Pelos cálculos de Struyven a partir de dados oficiais, sem imigração, a população em idade ativa dos EUA provavelmente diminuirá 0,2% por ano entre 2020 e 2030. A especialização mais eficiente entre os imigrantes e a maior parcela de solicitações de patentes por estrangeiros do que por nativos significam que a perda de imigrantes prejudica a produtividade.

Além disso, as restrições defendidas por Trump podem ameaçar o crescimento potencial estimado da economia, já baixo em 1,75% nos próximos anos, segundo o relatório do Goldman.

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