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Análise: Trump precisa detalhar planos para os mercados

Dr Mohamed Aly El-Erian

(Bloomberg) -- O primeiro discurso do presidente Donald Trump ao Congresso dos EUA na noite de terça-feira foi marcado por cobertura ampla, tom nacionalista e execução presidencial.

Ele repetiu muitos dos temas defendidos durante a campanha e reiterados desde a eleição, em 8 de novembro. Trump fez declarações sobre a abertura de "um novo capítulo na grandeza americana", a "renovação do espírito americano" e o preparo do país para liderar globalmente, mas "colocando os próprios cidadãos em primeiro lugar".

Nos comentários sobre a economia, ele definiu as principais áreas de foco, mas deixou para depois os detalhes sobre medidas específicas, como serão financiadas (quando necessário) e quando serão implementadas.

Trump caracterizou a situação econômica do país como preocupante após anos de desindustrialização, corrosão da competitividade, aumento da desigualdade e falta de emprego para muitos americanos. Em resposta a isso, ele afirmou que seu governo está elaborando uma "reforma tributária histórica" que, juntamente com um "grande corte de impostos", permitirá que as empresas americanas concorram melhor em casa e no exterior.

Sobre a questão da concorrência global, ele lamentou "a exportação de empregos e patrimônio dos EUA" para outros países e avisou que os EUA não mais aceitarão jogar em condição desigual, especialmente em se tratando de tarifas de importação e sobretaxas. Nas palavras dele, "o comércio livre também precisa ser comércio justo".

Declarando que "chegou a hora de um novo programa de reconstrução nacional", ele reiterou a intenção de embarcar em um ambicioso plano de infraestrutura que enfatize "comprar e contratar" produtos e pessoas locais. Segundo ele, isso será feito por meio de parcerias e canais fiscais no contexto de um orçamento que dará mais espaço para gastos militares, mas Trump não comentou sobre o financiamento do déficit ou novas receitas. Citando o exemplo da indústria de carvão, o presidente repetiu a intenção de retirar o que ele considera regulamentação excessiva.

Muitos desses temas já foram comemorados pelos mercados acionários, que batem um recorde atrás do outro. Assim, os investidores receberão bem o compromisso renovado de Trump com a agenda pró-crescimento. Mas quem quer clareza sobre "como" ou "quando" ele entregará tudo isso precisa esperar. O lançamento da agenda não aconteceu nesta terça-feira. A questão agora é por quanto tempo os mercados terão paciência.

Esta coluna não necessariamente reflete a opinião do comitê editorial da Bloomberg LP e seus proprietários.

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