Wilmar compra todo o açúcar da entrega de futuros de março

I. Almeida e Marvin G. Perez

(Bloomberg) -- A Wilmar International adquiriu todo o açúcar vendido contra futuros expirados de Nova York em uma enorme entrega que sinalizou uma oferta maior que a esperada do Brasil, o maior produtor mundial.

A trader com sede em Cingapura, que virou uma potência no mercado açucareiro, abocanhou cerca de 1,2 milhão de toneladas para solucionar o término do contrato de março na bolsa ICE Futures U.S., segundo uma pessoa com conhecimento do assunto, que pediu anonimato porque a informação é privada.

Esta é a maior entrega da história para o mês e duplica a quantidade do ano anterior, segundo dados da bolsa, que deverá divulgar números oficiais nesta quarta-feira.

A maior parte do açúcar virá do Brasil, onde as safras estão atualmente no intervalo entre as temporadas de cultivo na principal região produtora. Quando uma quantidade "considerável" é entregue no período da entressafra do Brasil, o fato é percebido como um sinal de fraqueza do mercado físico, disse Arnaldo Luiz Corrêa, sócio da Archer Consulting, em relatório divulgado antes de o contrato expirar.

Uma entrega grande "geralmente é mais pessimista porque indica que não foi encontrado nenhum outro destino para tanto açúcar além da bolsa", disse Bruno Lima, chefe de açúcar e etanol da INTL FCStone em Campinas, em relatório enviado por e-mail na terça-feira. Isso ocorre apesar dos indicativos de que o comprador é proprietário de refinarias na Ásia capazes de processar o açúcar, disse ele.

Impacto nos preços

O contrato de março expirou na terça-feira a 19,31 centavos a libra-peso. Os preços caíram nas três semanas anteriores à entrega e qualquer impacto associado ao fim do contrato provavelmente já tenha acontecido, disse James Cassidy, chefe global de derivativos de açúcar do Société Générale em Nova York, em relatório enviado por e-mail. Com isso, os fundamentos indianos e chineses e o clima brasileiro impulsionarão o mercado, disse ele.

A Alvean, a maior trader mundial de açúcar e uma joint venture da Cargill com a Copersucar, confirmou a venda da maior parte do açúcar, ou cerca de 858.102 toneladas, sendo que a maior parte dele veio do Brasil. A segunda maior vendedora foi a Sucres et Denrées, que entregou 214.081 toneladas por meio de suas unidades de Paris e Miami.

A ED&F Man Holdings ficou entre as vendedoras que entregaram açúcar de países da América Central, como a Guatemala, disse Jascha Raadtgever, diretor-gerente de açúcar da trader com sede em Londres. Entre as demais traders que venderam estavam a Cofco Agri, uma unidade da maior empresa alimentícia da China, e a trader Enerfo, com sede em Cingapura, segundo pessoas com conhecimento do assunto.

A Wilmar entrou no mercado açucareiro em 2010 e se tornou um ator dominante, com clientes em muitos países importadores. A empresa assumiu a maior parte das entregas nos últimos dois anos. O fato de o recebedor ter preferido aceitar essa entrega denota uma jogada tática na qual a empresa provavelmente tem a clientela certa para o produto, informou o Commonwealth Bank of Australia em relatório, na segunda-feira.

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