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Há quem trabalhe nove horas para pagar o café da manhã

Andre Tartar e Wei Lu

(Bloomberg) -- Os moradores de Abu Dhabi, Osaka e Zurique conseguem ganhar o suficiente em menos de cinco minutos para comprar sua primeira refeição do dia, segundo o Bloomberg Global City Breakfast Index. Os ganeses de Accra precisam de quase uma hora e os cidadãos de Caracas, com sua inflação elevada, precisam de quase nove horas.

O orçamento do café da manhã pode ser algo secundário nas economias mais ricas, mas produtos com preços proibitivos geraram uma alimentação deficiente e revoltas em países mais pobres, incluindo protestos que envolveram mais de uma dúzia de países do Oriente Médio e do Norte da África em 2010 e 2011.

O índice da Bloomberg calcula o custo médio e a acessibilidade de um café da manhã típico -- um copo de leite integral, um ovo, duas torradas em fatias e um pedaço de fruta -- para 129 centros financeiros globais e regionais. Os rankings são baseados nos preços de mercado dos últimos 12 a 18 meses do Numbeo.com, site que possui uma base de dados on-line de estatísticas de cidades e países com colaboração de usuários.

O índice revela amplas diferenças de acessibilidade entre as cidades no topo e na base do espectro em algumas regiões econômicas. O café da manhã custa pouco mais de 1 por cento do pagamento diário dos moradores de Zurique e Genebra, na Suíça, enquanto os ucranianos de Kiev precisam desembolsar cerca de 6 por cento. Na Ásia, custa menos de 1 por cento em Osaka, no Japão, contra 12 por cento em Hanoi, no Vietnã. A disparidade é maior na América Latina: 2,4 por cento em Monterrey, no México, contra 111 por cento em Caracas, capital da Venezuela.

A Bloomberg selecionou os itens de seu índice por serem commodities agrícolas amplamente disponíveis cujos preços permitem comparações entre cidades. O que as pessoas realmente comem na primeira refeição do dia varia, de mingau de arroz e youtiao (uma tira de massa frita) em Pequim e Xangai a salsicha e feijão cozido com ovo, tomate e outros ingredientes na Inglaterra.

A ampla diferença de acessibilidade reflete também diversas forças de mercado e regulatórias, de subsídios a alimentos em lugares como o Cairo, no Egito, que tem o café da manhã mais barato, a US$ 0,35, até preços mais elevados em pequenos mercados dependentes de importações, como Hamilton, nas Bermudas, onde o café da manhã custa US$ 3,48.

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