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Faculdade de Administração aproveita veto de viagens de Trump

Zara Kessler

(Bloomberg) -- A política pode ser um problema constante para empresas e universidades. Bill Boulding, reitor da Faculdade de Administração Fuqua, da Duke, acha que pode aproveitar isso para construir líderes melhores.

É esperado que o presidente dos EUA, Donald Trump, assinará uma nova ordem executiva sobre viagens ao país em breve, depois que o decreto anterior, que vetou temporariamente pessoas de sete países de maioria muçulmana, acabou em um limbo jurídico. Boulding, que dirige o terceiro melhor programa de MBA em tempo integral dos EUA de acordo com um ranking da Bloomberg Businessweek, acha que um veto desse tipo poderia levar as faculdades de Administração dos EUA a correr o risco de perder profissionais estrangeiros.

Mas ele também considera que a guerra política em torno da imigração é uma forma de armar os estudantes para batalhas nos negócios e é um caso de teste sobre como reagir a controvérsias.

"Assumir uma posição política em relação a essas decisões não é nossa tarefa enquanto faculdade de Administração, e eu não farei isso neste caso em particular", disse Boulding, 61. "No entanto, as decisões políticas que são tomadas vão afetar nossa capacidade, enquanto líder empresarial, de formar equipes excelentes, de criar uma noção de pertencimento dessas equipes."

Os interesses acadêmicos de Boulding se centram na convergência entre marketing, administração e estratégia. Reitor desde 2011 e na Fuqua há mais de 30 anos (ele deu aula de gerenciamento de marketing para o CEO da Apple, Tim Cook), Boulding estuda a forma em que gerentes tomam decisões e de como os clientes reagem.

"Precisamos preparar as pessoas agora, antes que elas entrem em cargos [de liderança], a pensar sobre 'Como eu reagirei?'", disse ele. "Como lidar com minhas opiniões pessoais, com as opiniões dos integrantes de minha equipe e com as opiniões de meu país e do mundo?"

A ordem executiva assinada no fim de janeiro desencadeou protestos em todo o país e foi criticada por executivos de empresas e líderes de universidades. Presidentes de faculdades escreveram uma carta conjunta pedindo para o presidente Trump "retificar ou rescindir" o decreto que, segundo afirmaram, ameaçava "o ensino superior americano e os princípios que definem nosso país". Duke e outras 16 faculdades de elite dos EUA apresentaram documentos ao tribunal federal do Brooklyn para afirmar que o veto prejudica a capacidade de atrair estudantes e especialistas estrangeiros excepcionais e de educar "os líderes do futuro de todos os lugares do mundo".

As universidades dos EUA poderiam sair perdendo, em dinheiro e em capital humano, se o país for considerado hostil com os estrangeiros ou propenso a caprichos nas políticas de viagem. Não-cidadãos responderam por 56 por cento do total de candidatos aos programas de MBA de dois anos e tempo integral dos EUA para o período de 2016-2017, de acordo com a Pesquisa de Tendência de Candidaturas de 2016 do Graduate Management Admission Council (Boulding faz parte do conselho do GMAC.) Em Fuqua, que fica em Durham, na Carolina do Norte, cerca de quatro de cada dez estudantes do turno diário do MBA são de fora dos EUA.

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