L'Oréal cria produtos de cuidados de cabelos para novo mercado

Pauline Bax

(Bloomberg) -- A L'Oréal está tentando descobrir o que as mulheres africanas desejam para depois ganhar dinheiro com isso.

Em uma sala pouco iluminada dentro de um laboratório perto de Johannesburgo, na África do Sul, uma jovem analisa fios de cabelo cuidadosamente, um por um. Cada ponta está presa, como se os fios fossem joias, a delicados tubos de cobre. Uma máquina laser ali perto desenha uma linha vermelha e horizontal sobre o rosto de uma voluntária imóvel com uma camiseta preta.

"As consumidoras africanas atualmente não têm muita liberdade para fazer o que querem com o cabelo sem dor, dinheiro e esforço", disse Alice Laurent, bioquímica francesa de 39 anos que construiu o centro de pesquisa do zero após trabalhar durante cinco anos na L'Oréal na China. "Eu diria que a L'Oréal é realmente pioneira."

A maior fabricante de produtos de beleza do mundo espera conquistar um mercado que estima em 100 milhões de consumidoras de classe média. Ao contrário da Europa, a África promete um crescimento alto: o número de mulheres africanas de classe média que moram em cidades e trabalham fora de casa continuará crescendo nos próximos anos e a média de idade delas é de atraentes 24 anos. A ideia é desenvolver novos produtos de cabelo especificamente para elas, em vez de oferecer marcas criadas para as consumidoras negras dos EUA, dando assim à L'Oréal uma vantagem em relação a concorrentes como Unilever e Avon.

Apontando para um estudo pregado na parede que detalha os graus de cacheado dos cabelos em países da África Subsaariana, Laurent disse que sua prioridade é identificar os hábitos e as necessidades das consumidoras africanas, sobre os quais não há muitas pesquisas.

O laboratório faz parte do plano da empresa de explorar novos mercados, de acordo com Deborah Aitken, analista da Bloomberg Intelligence. A L'Oréal busca manter o crescimento escolhendo com cuidado suas aquisições e entrando em mercados emergentes com potencial de longo prazo, disse Aitken.

O mercado de beleza da África se divide em dois segmentos: marcas locais e marcas internacionais. "As mulheres africanas usam ambas e também são muito boas personalizando seus próprios produtos", disse Laurent. Apesar de afirmar que considera a África Subsaariana "muito promissora", a L'Oréal não divulgará suas projeções nem metas de vendas.

Mas os dados de vendas são reveladores. O valor total das vendas de produtos de beleza e cuidados pessoais na África do Sul e na Nigéria aumentou para quase US$ 5 bilhões no ano passado. O cuidado com o cabelo foi uma das categorias de crescimento mais acelerado entre os produtos vendidos de 2010 a 2015, com o valor das vendas subindo 38 por cento e 63 por cento na África do Sul e na Nigéria, respectivamente, no período, de acordo com a Euromonitor, que coleta dados de quatro países da região.

"As grandes fabricantes estão percebendo que existe muito potencial para o futuro", disse Thomas Verryn, gerente de pesquisa da Euromonitor International para a África Subsaariana. "Elas estão investindo agora para aumentar suas vendas no longo prazo."

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