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Mercado chinês de títulos de US$ 8 tri seduz fundos globais

Denise Wee

(Bloomberg) -- A especulação de que o mercado de títulos da China, de 56,3 trilhões de yuans (US$ 8,2 trilhões), está prestes a ficar mais global está incentivando fundos de investimentos a contratar pessoal no país.

Uma autoridade do banco central disse no fim do ano passado que a China criará condições para a inclusão da dívida em yuans nos índices globais. A BlackRock disse que a inclusão poderia ser anunciada em 2017 e que a empresa contratou pessoal para pesquisa de crédito no país. A Invesco disse que isso poderia acontecer nos próximos 12 meses e também pretende se expandir no país.

A adição de notas chinesas a índices globais, entre eles os da Bloomberg Barclays, do JPMorgan Chase & Co. e do Citigroup, levaria ao país dinheiro de investidores de Nova York a Tóquio famintos por rendimentos. Os administradores dessas riquezas terão que lidar com cada vez mais calotes e com notas de crédito locais questionadas por muitos. As empresas de investimentos também querem vender mais produtos para uma legião crescente de investidores chineses ricos após a autorização de mais acesso ao mercado.

"Estamos vendo um interesse maior entre os administradores globais de ativos em desenvolver capacidade de investimento para o mercado de dívida chinesa onshore", disse Nick Aylwin-Foster, diretor do escritório de administração de ativos da empresa de recrutamento Sheffield Haworth para a Ásia. "Dentro da renda fixa, as contratações são feitas principalmente para as equipes de pesquisa de crédito."

Contratações

A BlackRock contratou algumas pessoas em Xangai focadas na pesquisa de crédito no mercado local de títulos, segundo Gregor Carle, diretor de estratégia com produtos de renda fixa para a região Ásia-Pacífico.

Em meio à mudança das normas e aos desafios da contratação, muitos fundos ainda estão decidindo se vão fazer isso. Eles precisam avaliar desvantagens como "uma brecha entre o momento em que você se compromete com um novo mercado e o momento em que você começa a ver retornos", segundo Aylwin-Foster, da Sheffield Haworth.

O momento escolhido para a inclusão nos índices também é incerto. Incorporar-se aos índices globais de dívida não é prioridade nesta etapa e o país não está com pressa para fazer com que suas ações ingressem nos índices de referência da MSCI, disse Fang Xinghai, vice-presidente da Comissão Reguladora de Valores da China, em janeiro. O Banco Popular da China (PBOC, na sigla em inglês) e outros departamentos trabalharão para melhorar as normas a fim de facilitar o acesso dos investidores ao mercado de papéis interbancários e criar as condições para a inclusão da dívida em yuans nos índices globais, disse em dezembro Ma Jun, economista-chefe do escritório de pesquisa do PBOC.

Oportunidade

No entanto, a China apresenta uma oportunidade única para os administradores de fundos de renda fixa. Os ativos estrangeiros representam apenas cerca de 1,4 por cento do mercado de títulos interbancários do país, o que o torna "uma das oportunidades mais inexploradas" da administração global de ativos, segundo Nicholas Britz, associado sênior da consultoria Z-Ben Advisors, com sede em Xangai.

"O jogo de administrar renda fixa em renminbi está passando para o mercado onshore", disse Britz. "Supondo que seja possível formar uma equipe eficaz de crédito em renminbi, quem o fizer definitivamente levará vantagem sobre os rivais globais."

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