Resultados da Europa superam os dos EUA e insinuam recuperação

Blaise Robinson

(Bloomberg) -- O crescimento dos lucros corporativos na Europa está superando os resultados das empresas americanas pela primeira vez em um ano e meio, e os estrategistas projetam que o desempenho continuará sendo superior em 2017.

No encerramento da temporada de balanços do quarto trimestre, os membros do índice Stoxx Europe 600 registraram um aumento de 11 por cento nos lucros em relação ao ano anterior - o maior em dois anos - frente a um crescimento de 5 por cento para as empresas do S&P 500, segundo dados do JPMorgan Chase & Co. Alguns dos fatores que poderão dar-lhes mais impulso em 2017 são o enfraquecimento do euro, a alta nos preços das commodities e uma recuperação do abatido setor bancário.

A tão aguardada recuperação dos resultados da Europa deve continuar neste ano, porque setores fundamentais, como bancos e recursos básicos, estão se recuperando e os dados indicam uma aceleração na economia, segundo Emmanuel Cau, estrategista de ações do JPMorgan.

"A base está baixa, porque os resultados na zona do euro ainda estão deprimidos no contexto histórico", disse ele em entrevista por telefone. "Os balanços das financeiras foram um grande peso para os resultados do mercado como um todo nos últimos anos, mas eles estão começando a se recuperar. Os bancos registraram mais melhorias líquidas do que o mercado em geral nos últimos três meses, porque os rendimentos dos títulos se recuperaram e o crescimento do crédito acelerou."

Há sinais de que os resultados robustos do quarto trimestre são o indício de um futuro melhor. Na verdade, as projeções de balanços estão melhorando após a publicação dos relatórios, uma ruptura do padrão típico de rebaixamentos observado nessas épocas, segundo dados do JPMorgan. Desde o começo do ano, as estimativas de lucros para as empresas europeias aumentaram 1 por cento, encabeçadas pelos aumentos das ações cíclicas, como as das mineradoras. Em contraste, os analistas reduziram em 1,7 por cento as projeções de resultados para os EUA no mesmo período.

Há outros indícios positivos. A razão entre o número de ações europeias cujas estimativas de consenso para os resultados foram melhoradas nos últimos três meses e aquelas que sofreram rebaixamentos é de 1,02, segundo estrategistas do Bank of America-Merrill Lynch. Qualquer valor acima da paridade é historicamente um sinal forte para as ações da região, escreveram eles em uma nota publicada em 28 de fevereiro.

A falta de crescimento dos resultados nos últimos anos na Europa foi o principal motivo pelo qual as ações europeias apresentaram desempenhos inferiores aos pares de Wall Street, escreveram estrategistas de ações do Barclays, entre eles Dennis Jose, em uma nota publicada em 27 de fevereiro. Essa tendência continuou até agora em 2017, com uma alta de 3,6 por cento no Stoxx 600 frente a um aumento de 6,4 por cento no S&P 500.

"As companhias europeias não conseguiram aumentar os balanços durante quase sete anos, período em que os resultados nos EUA dispararam a picos de antes do ciclo", escreveram os estrategistas, que disseram que as empresas tiveram dificuldades para elevar seus preços por causa da falta de inflação, o que afetou as margens. "Se a inflação aumentar, achamos que a precificação deve melhorar e, assim, provocar um incremento nas margens de lucro europeias."

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