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Filho de ministro de Mussolini vai à Justiça por obras de arte

Jeremy Hodges

(Bloomberg) -- Dois retratos que fizeram parte da valiosa coleção do ministro das finanças de Benito Mussolini são foco da mais recente ação judicial sobre obras de arte de alto valor a chegar aos tribunais de Londres.

O conde Giovanni Volpi di Misurata, o renomado gerente de uma equipe de carros de corrida e filho de Giuseppe, homem que recebeu crédito por resolver a crise da dívida da Itália da Primeira Guerra Mundial, está processando uma negociante de Londres pela violação de um acordo de parceria relacionado às pinturas do artista holandês do século 16 Antônio Mouro. A negociante nega qualquer irregularidade e afirma que as indagações a respeito de como a família obteve a posse das obras causaram problemas para possíveis compradores.

Volpi disse que a empresa Old and Modern Masters "mentiu diversas vezes" a respeito da venda do quadro "Ermine Portrait" -- do conde Alessandro Farnese vestido com uma jaqueta bordada com arminho e um chapéu preto -- para João Adão II, príncipe de Liechtenstein, em 2015 por 5 milhões de euros (US$ 5,3 milhões), segundo documentos judiciais apresentados à Alta Corte de Londres no ano passado e publicados nesta semana.

Volpi posteriormente recebeu 50 por cento dos recursos da venda após ir atrás dos negociantes, em 2016. Ainda assim, ele entrou com o processo devido a prejuízos e violação de contrato e para conseguir a devolução da segunda pintura. Ele alega que o quadro "Armor Portrait" -- do conde Alessandro Farnese vestido com meia armadura, calções e meias brancas --, que seria vendido a um negociante da Flórida por 1,6 milhão de euros, foi deliberadamente vendido por um valor baixo em uma jogada para evitar a anulação do acordo de parceria.

Volpi acertou a parceria com a Old and Modern Masters em 2014, dando à negociante uma fatia de 50 por cento das pinturas e permissão para vendê-las em troca de 1,5 milhão de euros, disseram advogados do conde em documentos judiciais. Os advogados de Volpi e da Old and Modern Masters preferiram não comentar e não forneceram imagens dos retratos.

O obscuro mundo da arte, no qual as obras mais valiosas mudam de mãos por quantias de dinheiro exorbitantes, gera diversas batalhas judiciais ao redor do globo entre colecionadores, negociantes e casas de leilões por questões de fraude, autenticidade e lavagem de dinheiro.

"A procedência pode ser crucial por uma série de motivos", disse Tim Maxwell, advogado especializado em litígios de obras de arte na Boodle Hatfield, que não participou da ação.

"Ela pode confirmar uma cadeia de propriedade, pode eliminar dúvidas a respeito de donos históricos questionáveis e, se fizer parte de uma coleção famosa, pode adicionar um valor considerável. Atualmente, é percebida como algo ainda mais importante devido aos escândalos recentes no mercado das artes", disse ele.

Marco Voena, diretor da Old and Modern Masters, disse que a falta de documentação relacionada à compra dos retratos em algum momento entre 1939 e 1941 "aliada ao fato de que o pai do reclamante foi ministro do governo fascista de Mussolini na época que ele teria adquirido os retratos afetou" sua comercialização.

A procedência das pinturas não pôde ser verificada de forma apropriada por especialistas independentes, disseram os advogados de Voena. Embora o quadro "Ermine Portrait" seja creditado a Mouro, "Armor Portrait" poderia ser um trabalho colaborativo, o que o torna menos valioso, disseram, em documentos da defesa.

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