Joia financeira de Londres enfrenta Brexit com crescimento

John Detrixhe

(Bloomberg) -- Uma das joias da coroa financeira de Londres - um negócio cobiçado pelo restante da Europa - está brilhando com mais força do que nunca.

A LCH, a câmara de compensações da capital do Reino Unido, é a maior do mundo para swaps de taxas de juros, mercado cujo trading cresceu constantemente a cada pesquisa desde 1995. No ano passado, a divisão de compensações de swaps da LCH registrou um salto de 25 por cento no volume, para US$ 666 trilhões. E os incentivos regulatórios que dão impulso a essas operações estão ficando ainda mais fortes.

Mas a LCH tem uma grande distração: a Europa Continental acha que ela está situada no lado errado do Canal da Mancha. Isso gerou dúvidas sobre se seus clientes começariam a procurar outras opções. Faltando menos de um mês para o começo do processo de separação entre o Reino Unido e a União Europeia, a dona majoritária da LCH diz que por enquanto os negócios vão de vento em popa.

Não houve "indícios de negócios desperdiçados", disse Xavier Rolet, CEO da controladora da LCH, a London Stock Exchange Group, em uma conferência sobre resultados na sexta-feira. "Nossa participação de mercado está crescendo em todos os lugares."

Ameaças

A França e a Alemanha não gostavam do papel dominante da LCH na compensação de derivativos em euros antes do triunfo do Brexit em junho e agora autoridades desses países afirmam que isso não pode ser tolerado. François Villeroy de Galhau, presidente do banco central francês, fez uma das primeiras ameaças e depois outros seguiram o exemplo.

Hubertus Vath, diretor administrativo da Frankfurt Main Finance, reconheceu que se espera que a divisão de compensação de swaps brilhe com força e que ela tem "taxas de crescimento muito acima da média". A tarefa de uma câmara de compensações é conter os calotes de derivativos, impedindo que um choque se transforme em um tsunami financeiro. Se houver outra crise dos derivativos, grandes nomes como a LCH com certeza terão um papel fundamental na administração das consequências.

Além da importância sistêmica da empresa, compensações ajudam a sustentar um ecossistema de milhares de empregos em finanças, tecnologia e departamentos jurídicos. E, embora a LCH compense derivativos no espectro das principais moedas, eliminar os swaps em euros ameaçaria toda a unidade. Os clientes preferem compensar o máximo possível no mesmo local, para que o processo seja mais barato e eficiente.

Crescimento

Enquanto isso, a LCH está crescendo. A quantidade de garantias de clientes que a empresa possui aumentou para quase US$ 100 bilhões, segundo a Clarus Financial Technology, um alta de 43 por cento nos últimos 12 meses. Os volumes em sua unidade de compensação de swaps cresceram 25 por cento no ano passado e o número de membros aumentou, informou a LSE em divulgação dos resultados na sexta-feira. A câmara de compensações representou mais de um quarto da renda total da LSE no ano passado.

"Eu projeto que ele continuará crescendo por um tempo", disse Amir Khwaja, CEO da Clarus em Londres, em referência ao tamanho do mercado de swaps de taxas de juros. "A LSE tem muita sorte de ter essa divisão".

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