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Sindicato de operários da BHP no Chile é testado em meio a greve

Laura Millan Lombrana

(Bloomberg) -- A greve na maior mina de cobre do mundo enfrenta uma fase crítica nesta semana, quando o sindicato estima que a diretoria tentará convencer os trabalhadores com uma oferta que poderia encerrar a paralisação no norte do Chile.

No dia 10 de março, após 30 dias de greve, a Escondida, da BHP Billiton, poderá legalmente realizar ofertas individuais aos trabalhadores. Se conseguir convencer mais da metade da força de trabalho, o sindicato terá que reconhecer a derrota e encerrar a greve.

"Tudo mudará após 30 dias", disse Carlos Allendes, porta-voz do sindicato, por telefone, na sexta-feira. "A companhia provavelmente está apostando que alguns trabalhadores vão voltar para a mina, mas nós estamos confiantes de que muitos deles não aceitarão benefícios piores do que os que temos agora."

Nesta segunda-feira, a greve em Escondida superará a paralisação de 25 dias que ocorreu na mesma mina em 2006, na época a paralisação mais longa em pelo menos uma década entre as maiores minas de cobre do Chile. As interrupções nas minas Escondida, no Chile, e Grasberg, na Indonésia, a segunda maior mina de cobre do mundo, ajudaram a elevar os preços do metal.

A alta de 28 por cento dos últimos seis meses está encorajando os trabalhadores em um momento de aumento do crescimento dos lucros depois que as companhias realizaram profundos cortes de custos. Outras operadoras de minas do Chile estão observando a disputa em Escondida de perto porque ela deverá dar o tom das próximas negociações deste ano.

A BHP não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. No mês passado, a empresa informou que não haveria produção pelo menos durante os 30 primeiros dias de greve.

"Em 2006, a companhia foi de porta em porta para conversar com as esposas dos trabalhadores, tentando convencê-las a dizerem aos maridos que voltassem ao trabalho", disse Allendes. "Entendemos que a política deles será exatamente a mesma desta vez."

Durante a greve de 2006 em Escondida, 32 de cerca de 2.000 operários retornaram ao trabalho antes do fim da greve. A Spence, também operada pela BHP, detém o recorde da greve mais longa do Chile nos últimos 10 anos. Cerca de 10 por cento de seus trabalhadores furaram a greve, disse Allendes.

"Achamos que muitas pessoas não abandonarão" essa greve, disse ele.

Se um número suficiente de trabalhadores ceder, o sindicato estará pronto para recorrer a um artigo da lei trabalhista atual que permite que os trabalhadores estendam seus contratos expirados por 18 meses. As negociações, neste caso, seriam retomadas no ano que vem, segundo as novas leis trabalhistas do Chile, que entram em vigor em 1o de abril e garantem os benefícios atuais, um dos principais pontos de atrito da disputa.

"A próxima jogada precisa vir da empresa, não dos trabalhadores", disse Allendes. "Não insistiremos muito em retomar o diálogo porque eles não mostraram sinais de que se moverão de suas posições."

A diretoria da Escondida disse que está disposta a retomar as negociações.

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