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Veto de Trump ameaça reduzir turismo internacional nos EUA

Henry Goldman

(Bloomberg) -- A postura do presidente dos EUA, Donald Trump, em relação à imigração começou a desestimular visitas de estrangeiros a grandes cidades dos EUA, o que poderia custar bilhões de dólares e milhares de empregos.

Nova York, a cidade mais visitada do país por pessoas do exterior, projeta que essas viagens cairão mais de 2 por cento neste ano, para 12,4 milhões, o primeiro declínio após oito aumentos anuais consecutivos. Los Angeles e Miami também poderão enfrentar quedas.

O veto de Trump no dia 27 de janeiro a viajantes de sete países de maioria muçulmana, embora interditado por um tribunal, está provocando efeitos. O decreto, que provocou caos em aeroportos, desencadeou protestos no mundo todo. Infortúnios de grande notoriedade, como a detenção da escritora australiana de livros infantis Mem Fox no Aeroporto Internacional de Los Angeles e o interrogatório ao filho do boxeador Muhammad Ali em Fort Lauderdale, na Flórida, estão começando a preocupar a indústria do turismo e representantes municipais.

"É o discurso de 'EUA em primeiro lugar' do presidente, o protecionismo comercial, o muro mexicano", disse Adam Sacks, presidente da Tourism Economics em Wayne, Pensilvânia, que analisa dados para projetar e medir a atividade de viagens para clientes no governo e no setor privado.

Perda de receita

Visitantes internacionais gastaram cerca de US$ 250 bilhões nos EUA no ano passado, disse Sacks. Os EUA terão cerca de 4,3 milhões de visitantes estrangeiros a menos neste ano graças a Trump, o que significa US$ 7,4 bilhões em receita perdida, de acordo com sua empresa.

As análises de Sacks incluíram dados da ForwardKeys.com, que informou que as reservas da Europa Ocidental aos EUA diminuíram 14 por cento de 28 de janeiro a 4 de fevereiro, em comparação com o ano passado. As reservas do Oriente Médio caíram 38 por cento.

Em Nova York, que atrai quase 30 por cento dos turistas estrangeiros que vão aos EUA, as autoridades continuam esperando um recorde geral de 61,7 milhões de visitantes, 1 milhão a mais que em 2016, devido ao aumento do turismo doméstico. Embora os viajantes internacionais equivalham a 20 por cento de todos os visitantes da cidade, eles respondem por quase metade do total que os turistas gastam. As autoridades afirmam que 300.000 turistas internacionais a menos custarão à economia municipal cerca de US$ 900 milhões.

"A última vez que enfrentamos algo assim foi depois da guerra do Iraque, da crise financeira e da recessão mundial", disse Christopher Heywood, diretor global de comunicações da NYC & Company, a agência de marketing de Nova York. O escritório planeja uma campanha publicitária de US$ 3 milhões na Europa Ocidental e no México neste ano, disse ele.

Trump, um bilionário cujos investimentos familiares incluem pelo menos 11 hotéis, deveria compreender os riscos para a economia dos EUA caso os turistas estrangeiros gastem seus bilhões de dólares em outro lugar, disse Jonathan Grella, diretor de assuntos públicos da Associação de Viagens dos EUA.

"O presidente é dono de hotéis e também especialista em marketing e desenvolvimento, então esperaríamos encontrar interesses comuns", disse Grella. "As consequências para a reputação são algo muito real na indústria de viagens."

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