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Fusões e aquisições recuperam o fôlego no setor de mineração

Luzi-Ann Javier e Danielle Bochove

(Bloomberg) -- Bancos de investimento que atuam no setor de mineração avisam que as fusões e aquisições voltaram. As maiores mineradoras do mundo estão na caça após quatro anos de contenção.

Os três anos de queda de preços das commodities forçaram as gigantes do setor a reduzir investimentos e vender ativos para diminuir o endividamento. Quando os preços voltaram a subir no ano passado, as mineradoras começaram a abandonar a postura defensiva.

Compradoras potenciais que penaram após decisões de expansão rápidas demais ou realizadas em um mau momento voltarão a ficar de olho em alvos tradicionais: empresas menores ou mais jovens que assumem o risco de explorar e desenvolver projetos na esperança de celebrar parceria com um grande investidor.

A perspectiva de aceleração das fusões e aquisições é assunto bastante comentado entre os mais de 20.000 geólogos, promotores e investidores que participam da convenção da Associação de Prospectores e Desenvolvedores do Canadá (PDAC), que começou no domingo em Toronto e dura quatro dias.

"Agora vejo o maior movimento nos quatro anos que venho aqui", disse Paul Knight, corresponsável global por metais e mineração do Barclays. "Se nossa experiência for indicação do que está acontecendo lá fora, veremos mais atividade de fusões e aquisições no fim deste ano do que observamos nos últimos três ou quatro anos."

Mineradoras e siderúrgicas reduziram os investimentos para US$ 42,5 bilhões em 2016, comparado a US$ 123,6 bilhões quatro anos antes, de acordo com o Wells Fargo. Isso deixou muitas empresas sem opções para ampliar a produção, a não ser fazer parcerias com concorrentes.

O ritmo de fusões e aquisições no setor de mineração ainda está bem abaixo do pico atingido no início de 2012, mas as transações anunciadas nos dois primeiros meses deste ano somaram US$ 7,6 bilhões, ou 41 por cento a mais do que um ano antes, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. Foi o melhor começo de ano desde 2013, antes de os mercados de ouro e cobre entrarem em queda. O ágio médio nos acordos anunciados em fevereiro foi de 33 por cento, o maior desde agosto.

Os contratos futuros de ouro, prata, platina e paládio avançaram pelo menos 7 por cento neste ano. Na Bolsa de Metais de Londres, todos os principais metais de base subiram, a não ser o estanho.

Nos três meses até 3 de março, investidores aplicaram aproximadamente US$ 4,9 bilhões em fundos negociados em bolsa que acompanham empresas de matérias-primas, superando o volume investido em fundos voltados para firmas de tecnologia, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. Os investimentos são atraídos pela perspectiva melhor para a demanda, puxada pela estabilização econômica da China e pela promessa do presidente americano, Donald Trump, de gastar US$ 1 trilhão em infraestrutura.

Dentro da dinâmica da mineração, é preciso substituir a produção que vai diminuindo ou as empresas entram em "modo de liquidação", disse David Harquail, presidente da Franco-Nevada. Segundo ele, a maioria das companhias não pode esperar uma década pelas licenças e pelo desenvolvimento de ativos começados do zero, portanto a caça é focada em projetos em estágio avançado, que são escassos.

A conferência da PDAC nesta semana trouxe evidência de que o sentimento no setor mudou, com mais atividade e humor melhor do que no ano passado, de acordo com Randy Smallwood, presidente da Silver Wheaton.

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