Manipulação da moeda na China pode ser justo o que Trump precisa

Justina Lee

(Bloomberg) -- As principais autoridades econômicas americanas, que se reunirão com seus pares chineses na semana que vem em um encontro do G-20, poderiam descobrir que um de seus desafios mais difíceis ainda é chegar a um acordo sobre política cambial.

O presidente Donald Trump várias vezes criticou Pequim por manipular o yuan para torná-lo mais barato, mas o Banco Popular da China (PBOC, na sigla em inglês) vem intervindo para conter os declínios. Por isso os representantes dos EUA na reunião de chefes de finanças do G-20 na Alemanha de 17 a 18 de março vão precisar conciliar o antigo apoio dos EUA à liberalização do yuan com o objetivo de evitar uma depreciação contínua que pioraria o déficit com o principal parceiro comercial.

"A questão não é como obrigá-los" a sustentar o yuan, disse Patrick Chovanec, estrategista-chefe da Silvercrest Asset Management em Nova York, que trabalhou na Universidade Tsinghua de Pequim. "Eles já fazem isso." A questão é como comunicar que "isso é exatamente o que nós queremos que vocês façam", disse ele.

Mensagens ambíguas

Ambos os países muitas vezes apoiaram medidas em direção a uma moeda chinesa cotada pelo mercado e no domingo o primeiro-ministro Li Keqiang disse que ela será "mais liberalizada". O problema é que o ímpeto atual do mercado é enfraquecer o yuan, o que acarreta o risco não apenas de exacerbar as tensões comerciais, mas também de minar a China ao estimular a saída de capitais. Além disso, a liberalização teve solavancos: uma minidesvalorização em agosto de 2015 perturbou os mercados globais.

A mensagem dos EUA tem sido ambígua. Por um lado, o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, não mostrou urgência em designar a China como manipuladora da moeda - onde a manipulação é definida como dar um impulso artificial ao comércio. Por outro lado, Trump chamou a China de "grande campeã" desse tipo de manipulação.

Enquanto isso, uma recuperação do dólar está aumentando a pressão sobre o yuan, que caiu 0,4 por cento nos últimos sete dias e era negociado a 6,8978 por dólar na tarde da terça-feira em Xangai. As apostas de que o Federal Reserve aumentará as taxas de juros em março recolocam o foco nos assuntos cambiais antes da reunião do G-20, que marcará a estreia de Mnuchin nesse circuito.

Devido ao interesse dos Estados Unidos em evitar um dólar excessivamente forte em um momento em que Trump procura impulsionar o crescimento americano, não se pode descartar algum tipo de acordo - pelo menos com a China -, dizem alguns analistas.

"Hoje é do interesse de ambos os países que a China procure evitar mais depreciações", disse Brad Setser, senior fellow do Council on Foreign Relations em Nova York e ex-funcionário do Departamento do Tesouro dos EUA. "Eu acho que a China não está pronta" para ter uma moeda não controlada por causa do estado de seu setor financeiro, disse ele.

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