Com ações da GoPro em baixa, novo diretor planeja recuperação

Selina Wang

(Bloomberg) -- Em janeiro, CJ Prober assumiu um desafio que, para frustração de muitos, se tornou comum no reino da tecnologia: recuperar uma empresa de hardware de capital aberto cujos produtos deixaram de fazer sucesso.

Prober é o novo diretor de operações da GoPro, cargo que permaneceu vago durante cerca de dois anos. Sua promoção veio após um 2016 instável, no qual a fabricante de câmeras de ação sofreu atrasos na produção de um produto, realizou recall de outro e abandonou os esforços de se transformar em uma empresa de mídia. As vendas despencaram, a GoPro reduziu sua projeção e os investidores desapareceram. Os problemas continuaram nesta semana, quando as ações atingiram um piso recorde depois que o Goldman Sachs se tornou a segunda instituição em dois dias a recomendar a venda da ação. As ações tiveram uma leve recuperação nesta quarta-feira, subindo cerca de 1 por cento, para US$ 8,01, às 10h24 em Nova York.

Prober, que entrou na GoPro em 2014 após ocupar vários cargos na Electronic Arts, traz sólidas conquistas para o novo emprego, como a reconstrução das operações de engenharia e a melhora do antiquado software de edição de seu empregador. Mesmo assim, ele terá dificuldades para revitalizar a GoPro.

Em sua primeira entrevista desde que assumiu o cargo, Prober prometeu controlar os custos, tornar as câmeras mais fáceis de usar e buscar crescimento internacional. "Da perspectiva de produto, tivemos um 2016 incrível, mas da perspectiva financeira, tivemos um 2016 difícil", disse ele. "Estamos nos reerguendo a partir disso. Há bastante impulso positivo por trás das mudanças que estamos realizando."

Com a desaceleração das vendas em 2015, o CEO Nick Woodman apostou em um novo drone chamado Karma e em uma versão atualizada da popular câmera Hero. A tentativa de apressar o lançamento dos novos produtos no mercado saiu pela culatra.

Após o lançamento do Karma, em setembro, um pequeno número de consumidores começou a reclamar de falhas na bateria. Prober afirma que as vibrações dos motores do drone foram as culpadas. O conserto era bastante simples. Os engenheiros da GoPro colocaram molas dentro do compartimento da bateria para estabilizar as células de energia. Mas a empresa foi obrigada a realizar o recall do drone e o produto demorou meses para que ele voltasse às lojas. A fabricante de drones chinesa DJI aproveitou o período para consolidar ainda mais seu domínio do mercado.

A nova Hero5 seria a primeira atualização da principal linha de câmeras da GoPro desde 2014. Ela seria mais fácil de usar, teria uma tela sensível ao toque e permitiria que os usuários carregassem conteúdo na nuvem. Além disso, a Hero5 seria à prova d'água e, segundo Prober, foi aí que os problemas começaram. No fim do processo, a GoPro descobriu que fabricar uma câmera à prova d'água seria mais difícil do que o previsto. Como resultado, a companhia registrou uma escassez de câmeras até novembro. Com isso, a GoPro deixou de vender durante o Natal, uma época de compras fundamental, e teve que cancelar uma série de iniciativas de marketing planejadas.

Prober promete evitar futuros contratempos com uma organização menor e mais harmônica. No fim do ano passado, a companhia fechou sua unidade de entretenimento e demitiu 15 por cento de seus funcionários, um terço deles vice-presidentes ou executivos com cargos superiores. "Muitas vezes, quando você reduz a complexidade de uma empresa, isso ajuda a melhorar o trabalho das equipes", disse Prober. "São menos fatores com os quais se preocupar, mais clareza." O mantra dele para 2017? "Fazer mais com menos."

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