Homens são 73% dos contratados por Trump na presidência

Polly Mosendz e Tom Randall

(Bloomberg) -- O presidente dos EUA, Donald Trump, indicou funcionárias mulheres para 27 por cento dos cargos públicos nomeados até o momento, segundo análise da Bloomberg News dos registros recentemente divulgados pelo governo federal. Esse número é bastante inferior à representação feminina na força de trabalho dos EUA, de 47 por cento.

A separação por gêneros da primeira onda de nomeações de Trump se baseou em uma lista de nomes dos funcionários obtida pela ProPublica após pedidos feitos por meio da Lei de Liberdade de Informação (FOIA, na sigla em inglês). A publicação sem fins lucrativos enviou pedidos ao Escritório de Gestão de Pessoal dos EUA e a mais de 20 agências federais, mas apenas seis responderam. A lista do ProPublica inclui 436 pessoas, a maioria contratada no fim de janeiro, e não inclui nomeados que exigem confirmação pelo Senado. As administrações da Casa Branca costumam nomear cerca de 520 funcionários durante um período de transição.

A Bloomberg News determinou o gênero com base na análise dos nomes, fazendo referência cruzada com perfis disponíveis publicamente em websites como LinkedIn. Como não houve confirmação de cada indivíduo em relação ao seu gênero, o número está sujeito a uma pequena margem de erro. Três dos funcionários, todos da Comissão de Segurança de Produtos para os Consumidores dos EUA, foram nomeados pelo ex-presidente Barack Obama; outros dois que estão na lista já deixaram suas funções.

Existe uma evidente desigualdade de gênero na lista de pessoas designadas por Trump. Entre os departamentos mais desequilibrados estão Comércio, Tesouro e Energia -- nos quais menos de 15 por cento dos nomeados são mulheres. As maiores proporções de nomeadas mulheres, cerca de metade, foram registradas nos departamentos de Estado e de Saúde e Serviços Humanos.

A Casa Branca não respondeu imediatamente às perguntas a respeito da composição de gênero de suas primeiras contratações para as agências federais. A Casa Branca em si tem "quase o mesmo número de funcionários homens e mulheres, sendo que a proporção de funcionários é aproximadamente a mesma da média nacional", disse uma porta-voz, em comunicado enviado por e-mail.

O gabinete de Trump, composto por alguns dos cargos mais visíveis dentro do governo, inclui quatro mulheres dentre 24 cargos. O presidente Obama nomeou sete mulheres para seu primeiro gabinete.

O governo Obama recebia críticas de tempos em tempos devido à percepção de que a atmosfera na Casa Branca era desafiadora para as mulheres. Anita Dunn, que foi diretora de comunicação da Casa Branca no governo Obama, reclamou do ambiente de clube do Bolinha. A Casa Branca "realmente se encaixa em todas as exigências legais clássicas de um ambiente de trabalho genuinamente hostil para as mulheres", disse Dunn ao jornalista Ron Suskind em livro publicado em 2011.

Contudo, aparentemente havia uma desigualdade de gênero muito menor entre os nomeados na era Obama. Em reportagem publicada em 2012, o New York Times concluiu que as mulheres detinham cerca de 43 por cento dos cargos nomeados no governo Obama. Na mesma reportagem, o jornal apontou que o presidente George W. Bush nomeou mulheres para cerca de um terço dos cargos.

O protesto realizado em todo o país contra o presidente Trump na quarta-feira, Dia Internacional da Mulher, incluiu manifestações em Washington e do lado de fora do Trump International Hotel, na cidade de Nova York. "Tenho um tremendo respeito pelas mulheres e pelos vários papéis que elas desempenham, que são vitais para o tecido de nossa sociedade e para nossa economia", tuitou o presidente Trump.

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