China tenta globalizar seu mercado de títulos de US$ 9 trilhões

Carrie Hong

(Bloomberg) -- A maré talvez esteja virando para os títulos da China.

O Citigroup informou na terça-feira que incluirá dívida em moeda local do país em alguns de seus índices, enquanto o banco central prometeu criar um "ambiente mais conveniente e amigável" para investidores estrangeiros. O anúncio veio depois da liberação do hedge cambial para títulos, considerada uma das muitas medidas necessárias para reduzir as barreiras de entrada nesse mercado.

O terceiro maior mercado de dívida do mundo precisa de dinheiro. Os investidores ainda estão se recuperando da maior queda em seis anos, ocorrida em janeiro. A parcela de estrangeiros no mercado de títulos onshore encolheu para 1,3 por cento no ano passado, embora o valor das notas em circulação tenha disparado 32 por cento para 64 trilhões de yuans (US$ 9,3 trilhões), de acordo com relatório divulgado no mês passado pelo Deutsche Bank. Os influxos ajudam a estabilizar a moeda local e reforçam as reservas cambiais, que vêm diminuindo.

"O desenvolvimento adicional de ferramentas de hedge ajudaria a estimular a participação dos investidores e a empurrar o mercado na direção da inclusão em índices amplos", disse Bryan Collins, gestor de renda fixa da Fidelity International, em Hong Kong. "Eu vejo grandes oportunidades de investimento, uma vez que o mercado chinês de títulos está crescendo rapidamente e os rendimentos são atraentes."

O esforço para que investidores estrangeiros tenham acesso ao mercado chinês de derivativos cambiais foi mais contundente do que se previa e pode resultar em entradas maiores de capital, segundo o Standard Chartered. Contudo, as autoridades ainda precisam tomar medidas adicionais em termos de acesso ao mercado, liquidez e regras de reporte, afirmaram analistas do Goldman Sachs Group em pesquisa divulgada no mês passado.

No momento, as ferramentas de hedge cambial disponíveis internamente ? incluindo swaps cambiais e de moedas cruzadas para títulos com prazo superior a um ano ? não têm tanta liquidez, o que resulta em grandes diferenças de preços, de acordo com David Qu, economista de mercados do Australia & New Zealand Banking Group, em Xangai.

Em audiência em Pequim na sexta-feira, o vice-presidente do Banco Popular da China, Pan Gongsheng, afirmou que o país vai incentivar consistentemente as instituições estrangeiras e emitir no mercado local e a investir no mercado doméstico.

"O banco central definitivamente vai melhorar os arranjos de regulamentações relacionadas ? como a parte jurídica, contábil, auditoria, tributação e classificação de risco de crédito ? e criar um ambiente mais conveniente e amigável para investidores estrangeiros", disse Pan. "Precisaremos nos comunicar mais com os investidores estrangeiros nesse processo. Não acho que isso seja urgente. Faremos passo a passo."

Segundo cálculos do Deutsche Bank, o mercado chinês de títulos vai se expandir 27 por cento neste ano e chegar ao mesmo tamanho do produto interno bruto. Os índices Bloomberg Barclays, de propriedade da Bloomberg, incluíram títulos domésticos chineses em algumas métricas em 1º de março. No ano, o yuan acumula valorização de 0,5 por cento em relação ao dólar até sexta-feira.

"Ocorreram muitos desdobramentos em hedge nas últimas semanas", disse Chia-Liang Lian, responsável por dívidas de mercados emergentes da Western Asset Management. "Isso é muito construtivo em termos da perspectiva para investimentos onshore na China."

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