Mineradoras sobreviverão à queda de preços de minério de ferro

David Stringer

(Bloomberg) -- As maiores mineradoras de minério de ferro do mundo conseguirão resistir à forte queda projetada para os preços porque a concorrência entre elas para reduzir os custos de produção baixou muito o ponto de pressão sobre as margens do setor, o que lhes permite continuar alimentando uma fonte enorme de dinheiro que revigorou o setor de mineração.

Mais de 90 por cento dos produtores no mercado marítimo global podem gerar lucro com um preço de referência de US$ 60 por tonelada, disse em entrevista por telefone Adrian Doyle, consultor sênior da empresa de pesquisa CRU Group em Sidney. A proporção se compara com cerca de 65 por cento dos fornecedores que eram capazes de evitar prejuízos com o mesmo preço três anos atrás, disse ele.

"Houve reduções de custos fantásticas em muitas instâncias", e os produtores também receberam um impulso com a queda dos preços do petróleo, disse Doyle. "Se pensássemos em um ponto de pressão no qual começaríamos a ver certa tensão no setor, antes ele ficaria em torno de US$ 60 por tonelada, e agora o teste de estresse para todas, exceto as principais empresas, está mais perto de US$ 50 a US$ 45 por tonelada."

O minério de ferro de referência caiu abaixo de US$ 90 por tonelada na semana passada pela primeira vez desde 10 de fevereiro diante do crescimento da oferta no mercado marítimo, de 1,4 bilhão de toneladas, e do aumento dos estoques na China. O minério com 62 por cento de teor ferroso em Qingdao valia US$ 88,26 por tonelada seca na sexta-feira, segundo a Metal Bulletin. Os preços avançaram para US$ 94,86 por tonelada em 21 de fevereiro, o maior valor desde agosto de 2014. Os futuros em Dalian dispararam 4,3 por cento nesta segunda-feira, para 684,5 yuans, o valor de encerramento mais alto desde 3 de março.

Alerta

Produtoras como a BHP Billiton e a Fortescue Metals Group alertaram que os preços vão recuar depois que elas registraram uma disparada dos lucros no mês passado, respaldada pela alta dos preços e pelas reduções de custo. A Fortescue, com sede em Perth, diminuiu seus custos de caixa a menos da metade nos últimos 24 meses, para cerca de US$ 12,45 por tonelada no trimestre passado, e a BHP os reduziu mais de 25 por cento, para US$ 15,05 por tonelada no segundo semestre do ano passado, segundo fatos relevantes.

"Todos os fundamentos apontam na direção de uma queda desse preço do minério de ferro", disse o diretor financeiro da BHP, Peter Beaven, em uma conferência em Sidney na quinta-feira. "A oferta continua aumentando, particularmente a do Brasil", e o impacto do estímulo fiscal da China sobre a demanda está diminuindo. O terceiro maior exportador do mundo está preparado para um "preço do minério de ferro muito mais baixo".

A brasileira Vale, a maior exportadora, enviará os primeiros carregamentos à China de sua mina S11D, de US$ 14 bilhões, e seus custos de caixa provavelmente cairão para menos de US$ 10 por tonelada, segundo o Departamento de Indústria, Inovação e Ciência da Austrália. Produtoras rivais, entre elas a Rio Tinto Group, a BHP, a Fortescue e a Roy Hill Holdings, se manteriam rentáveis com preços inferiores a US$ 50 por tonelada, afirmou o departamento em um relatório publicado em janeiro.

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