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Odebrecht deixa rastro de devastação dos Andes ao Caribe

David Biller e John Quigley

(Bloomberg) -- Os caminhões subiram até as terras de Braulio Pucllo nos Andes, há cinco meses, e empilharam dezenas de canos de aço de cinco toneladas ao lado da estrada de terra. Os trabalhadores de um consórcio liderado pela construtora Odebrecht disseram a ele que eles iriam colocá-los e soldá-los. Desde então, Pucllo nunca mais viu os operários.

"Queremos que eles voltem e terminem o trabalho", disse Pucllo, 30, enquanto a chuva virava tempestade e seu rebanho de alpacas vagava entre os canos. "Se não fosse pela corrupção da Odebrecht, eles ainda estariam por aqui trabalhando. Todos os que aceitaram dinheiro deles deveriam ir para a cadeia."

Este não era o destino pensado para o maior projeto de infraestrutura do Peru. O Gasoduto Sul Peruano foi pensado para subir dos campos de gás da selva de Cusco até cerca de 5.000 metros acima do nível do mar e depois descer novamente. Apenas 33 quilômetros de canos estavam instalados quando as acusações de corrupção cortaram o acesso da Odebrecht aos recursos, levando o governo a encerrar o contrato no mês passado.

O pior é que o gasoduto de US$ 7,3 bilhões é apenas uma das numerosas vítimas do escândalo, emanado da maior construtora da América Latina, que atinge toda a região. Procuradores de 11 países assinaram um acordo para aprofundar a investigação sobre a teia de propinas pagas pela Odebrecht a políticos, parte delas na forma de doações de campanha, como foi revelado primeiro no Brasil. O alcance das consequências está longe de ser claro, mas o escândalo está sacudindo governos -- e até economias -- dos Andes ao Caribe.

'Afetou todos os países'

"Isso afetou todos os países e chegou ao escalão mais alto", disse Walter Molano, economista-chefe da BCP Securities em Greenwich, Connecticut, EUA.

Durante mais de uma década a Odebrecht liderou as construtoras brasileiras em uma expansão aparentemente sem obstáculos pela região. As autoridades ofereciam bilhões de dólares em estradas, trens, aeroportos e usinas de energia, e a Odebrecht fez com prazer. O império da empresa está se desintegrando há mais de dois anos enquanto seu presidente, Marcelo Odebrecht, cumpre pena de 19 anos em uma prisão brasileira. O declínio começou a acelerar em dezembro, quando a companhia se declarou culpada nos EUA e fechou o maior acordo por corrupção da história: uma multa de US$ 4,5 bilhões por crimes cometidos em 12 países, a maioria na América Latina e no Caribe. A companhia pode acabar pagando apenas US$ 2,6 bilhões.

Após pedido de comentário, a Odebrecht afirmou que está "cooperando com as autoridades brasileiras e estrangeiras para apoiar as investigações em andamento". A empresa disse acreditar que "precisa mudar a postura de suas relações com o público e com as organizações privadas" e afirmou que está "adotando medidas para reforçar seu compromisso com as práticas corporativas éticas e para fomentar a transparência em todas as suas ações com o objetivo de virar a página e respaldar seu contínuo desenvolvimento".

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