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Trump e Fed não abalam confiança nos mercados emergentes

Sid Verma

(Bloomberg) -- O imprevisível novato na Casa Branca está fazendo com que mercados emergentes pareçam menos perigosos por comparação, dizem estrategistas como Kamakshya Trivedi, do Goldman Sachs Group.

E isso lhe dá confiança para recomendar a compra de ativos em moeda local em países como a Rússia e o Brasil, ignorando os estragos provocados pelos ciclos de ajuste anteriores do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).

Com economias na posição mais forte em anos para aguentar o aumento das taxas de juros dos EUA, os investidores contam com que países em desenvolvimento continuarão oferecendo grandes retornos e duvidam de que o presidente dos EUA, Donald Trump, consiga implementar tanto sua agenda protecionista a ponto de criar um obstáculo.

"Os investidores receiam estar underweight sobre os mercados emergentes se políticas concretamente protecionistas não forem implementadas e a alta continuar", disse Trivedi, chefe de estratégia macroeconômica para mercados emergentes em Londres, em entrevista por telefone. "Os mercados emergentes estão mais bem posicionados para absorver nossa projeção de três aumentos de juros do Fed neste ano."

Mudança

Não faz muito tempo, a perspectiva de um aumento dos juros nos EUA fazia com que os investidores fugissem. O índice de ações MSCI Emerging Markets recuou 14 por cento nos 30 dias posteriores à primeira insinuação feita pelo então presidente do Fed, Ben S. Bernanke, em maio de 2013, de que ele começaria a reduzir o estímulo, e as moedas caíram muito durante três anos consecutivos com a eliminação gradual do dinheiro barato.

Contudo, embora o Fed pareça determinado a aumentar sua referência a 1 por cento pela primeira vez desde 2008, gestores de ativos estão ignorando os riscos externos porque gostam do que está acontecendo nos países emergentes.

Primeiro, como o Brasil e a Rússia estão saindo de recessões, as economias em desenvolvimento crescerão mais de duas vezes mais rápido que os países avançados neste ano. Em nenhum outro momento desde 2010 houve mais dados econômicos de mercados emergentes acima das projeções, segundo um índice de surpresas do Citigroup.

Além disso, os déficits em conta-corrente da África do Sul, do Brasil, da Turquia, da Índia e da Indonésia têm menos de metade do tamanho que tinham em 2013, quando o Morgan Stanley apelidou o grupo de "cinco frágeis" pela vulnerabilidade deles aos fluxos de saída quando os EUA ajustam a política monetária.

Rendimentos

Por sua vez, a inflação está nos valores mais baixos em vários anos, fato que dá aos investidores em Londres ou Nova York retornos maiores depois de eliminado o crescimento dos preços ao consumidor. Na Rússia, a taxa real sobre a dívida com vencimento em 10 anos é de 3,5 por cento e no Brasil, de 5,5 por cento, em comparação com menos de 1 por cento nos EUA e com retornos negativos em toda a zona do euro. Diante da pouca pressão ascendente nos rendimentos dos títulos dos EUA com vencimentos mais distantes, papéis de mercados emergentes continuarão atraentes, segundo Trivedi, do Goldman.

"Os mercados não acreditam que a equipe de Trump terá sucesso", disse Koon Chow, estrategista do Union Bancaire Privée Ubp em Londres, que recomenda comprar títulos seletivamente e ter cautela com as moedas no curto prazo. "Embora os riscos de protecionismo nos EUA não tenham desaparecido, por enquanto os mercados não estão agitados."

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