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Candidato mexicano critica Trump e defende reformulação do Nafta

Nacha Cattan e Carlos Manuel Rodriguez

(Bloomberg) -- O presidente do México, Enrique Peña Nieto, talvez esteja assumindo uma postura cautelosa em seus comentários públicos sobre o presidente do EUA, Donald Trump, mas o homem que atualmente aparece como candidato a sucedê-lo não mostra esse tipo de restrição.

Em uma entrevista de 90 minutos, na terça-feira, em Nova York, Andrés Manuel López Obrador, o outsider radical que é o favorito da eleição do ano que vem, criticou a "campanha de ódio" de Trump contra os imigrantes mexicanos, acusou-o de violar as leis de direitos humanos, chamou seu plano de construção de um muro na fronteira de ferramenta de "propaganda" e disse que mal podia esperar para comandar a renegociação do Nafta.

"Peña está muito quieto. E Donald Trump fala muito grosso", disse López Obrador. "A liberdade não se implora, a liberdade se conquista."

Isso pode ser uma antecipação dos confrontos que estão por vir. O México e os EUA têm uma relação de cooperação há décadas. Mas Trump mudou essa dinâmica. Ele deixou os mexicanos tão irritados que, se as pesquisas estiverem certas, o país também está pronto para eleger seu próprio nacionalista inflamado, um político que passou anos denunciando que a economia é administrada em prol dos interesses dos estrangeiros -- de certa forma, um mexicano anti-Trump.

'Eu estava errado'

López Obrador, de 63 anos, ex-prefeito da Cidade do México, conhecido simplesmente como Amlo pelos compatriotas, disse que Peña Nieto deveria ter apresentado uma queixa contra Trump na Organização das Nações Unidas logo que seu muro foi anunciado -- e prometeu tomar medidas legais se assumir a presidência. Ele disse que é improvável que o Nafta seja renegociado logo e que isso é bom porque "seria melhor que estivéssemos no poder" quando isso acontecer.

Primeiro, é claro, ele precisa ganhar a presidência. Ele não conseguiu em suas duas primeiras tentativas, apesar de ter ficado a um ponto percentual de chegar lá em 2006. E o sentimento nacional é mais favorável agora. O partido de Peña Nieto, o PRI, no poder durante a maior parte da história moderna do México, viu sua popularidade corroída por uma série de escândalos de corrupção, pelo assassinato de 43 estudantes instigado pela polícia e pelo aumento dos preços da gasolina. E isso sem contar o efeito Trump.

López Obrador disse que pensou que Trump suavizaria sua retórica "xenófoba" de campanha quando chegasse à presidência. "Eu estava errado sobre isso", disse ele. Como resultado, ele endureceu sua postura. Após a eleição de Trump, em novembro, Amlo postou um vídeo pedindo calma. Ele continua prometendo que se comportará respeitosamente com o presidente dos EUA, mas também apresentará queixa contra ele nesta quarta-feira na Comissão Interamericana de Direitos Humanos em Washington. Trump se referiu aos imigrantes mexicanos como "estupradores" durante a campanha e prometeu deportações em grande escala.

"Essa campanha de ódio não tem justificativa", disse López Obrador. "Não é apenas desumana, é irresponsável."

A Casa Branca preferiu não comentar as declarações do candidato na terça-feira.

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