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Jovem fã de carros de luxo é chave no ataque da Rússia ao Yahoo

Gerrit De Vynck

(Bloomberg) -- Quando Karim Baratov disse no Facebook que havia quitado uma hipoteca e era visto dirigindo um BMW Série 7 durante o Ensino Médio, seus colegas de classe pensaram que ele tivesse pais ricos. Mas o dinheiro pode ter vindo de uma vida secreta como hacker cibernético, incluindo um trabalho para a principal agência de espionagem da Rússia.

O governo dos EUA indiciou quatro pessoas na quarta-feira que teriam hackeado contas do Yahoo! para o governo russo. Baratov, um canadense nascido no Cazaquistão que agora tem 22 anos, provavelmente será o único a ir a julgamento.

Ele foi preso na terça-feira e compareceu a um tribunal de Hamilton, Ontário, cidade siderúrgica a uma hora de viagem de carro a oeste de Toronto. Após algumas apresentações preliminares no tribunal, um juiz canadense decidirá se deve extraditá-lo aos EUA para que enfrente um julgamento que afetará as relações entre EUA e Rússia e que mostrará a qualidade da reação do Yahoo! às ameaças de segurança a seu popular serviço de e-mail.

"É muito louco. Não podia imaginar que isso pudesse acontecer", disse Dillon Kovljenic, que ficou amigo de Baratov fazendo a manutenção de alguns dos carros dele nos últimos dois anos.

Na acusação, o Mercedes Benz C54 preto e o Aston Martin DBS de Baratov (equipado com uma placa em que se lê "Mr. Karim") estão listados como ativos que os EUA buscam expropriar, argumentando que foram obtidos por meio de atividades ilegais.

Baratov é acusado de trabalhar para Dmitry Dokuchaev, um hacker mercenário que foi pressionado a trabalhar para o serviço de segurança russo FSB para evitar uma investigação por fraude com cartões bancários. O canadense usou e-mails falsos para atrair alvos para que fornecessem informações confidenciais que lhe permitiram obter senhas, posteriormente vendidas a Dokuchaev por US$ 100 cada, segundo o Departamento de Justiça dos EUA.

Baratov mostrou-se quieto e tranquilo ao responder às perguntas do juiz no tribunal, na quarta-feira. Ele vestia um casaco de inverno preto abotoado até o pescoço, calça preta e óculos de aro marrom. A audiência para determinar sua fiança foi adiada para 17 de março porque seu advogado não estava presente.

Não está claro se ele sabia que estava trabalhando para a FSB, mas a acusação disse que Dokuchaev e um colega chamado Igor Sushchin pediram que ele hackeasse contas particulares pertencentes a políticos e funcionários públicos russos. Baratov recebeu pedido para hackear pelo menos 80 contas de e-mail, incluindo 50 contas do Google, segundo a acusação.

As mensagens de texto enviadas ao telefone celular de Baratov e um telefonema para sua casa não foram respondidos. Amedeo DiCarlo, um advogado de defesa criminal, disse que havia sido contratado pela família de Baratov para defendê-lo. Ele preferiu não comentar sobre o caso.

'Bom, educado e inteligente'

Amigos e conhecidos de Baratov disseram que ele era uma pessoa tranquila e educada que raramente falava sobre seu trabalho.

"Um jovem muito bom, educado e inteligente", disse Kovljenic. Baratov pagou no prazo o trabalho feito em seus carros e Kovljenic nunca perguntou como seu jovem cliente ganhava a vida, acrescentou.

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