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É preciso ter diploma universitário para um emprego básico?

Peter Coy

(Bloomberg) -- Quando o mercado de trabalho dos EUA foi inundado por candidaturas desesperadas, muitos empregadores passaram a exigir diplomas universitários para empregos básicos. A decisão tinha uma lógica um tanto cruel: ficar apenas com os melhores.

O mercado de trabalho está muito mais restrito agora, mas aparentemente os empregadores não relaxaram seus critérios de contratação. Isso pode explicar por que 43 por cento afirmam que encontrar candidatos suficientes é o principal desafio para preencher empregos de nível de entrada. Trata-se de um clássico exemplo de autossabotagem que obviamente também é ruim para os jovens que não possuem diploma universitário, porque eles não são capazes de ingressar no nível mais baixo da escala profissional.

A psicologia, e a política de escritório, podem ser as responsáveis pela situação. Nenhum profissional de recursos humanos deseja ser visto como aquele que rebaixa os padrões de contratação. "Nas últimas décadas houve uma tendência muito significativa em direção à exigência de uma maior qualificação", diz Abigail Carlton, diretora-gerente da Fundação Rockefeller. "Cria-se uma certa dependência quando se começa a impor novas exigências. Eliminá-las seria mais difícil do que incorporá-las."

A fundação divulgou uma pesquisa hoje que lança luz sobre os possíveis danos causados pela insistência nos diplomas universitários para empregos que definitivamente não os necessitam. A instituição entrevistou mil jovens, metade deles formados recentemente na universidade, metade "jovens de oportunidade" -- desempregados com formação no Ensino Médio. Entrevistou também profissionais de RH e executivos corporativos.

Metade dos formados recentemente na universidade (49 por cento, para ser preciso) disse que não precisou ir à faculdade para adquirir as habilidades necessárias para seus empregos atuais e 86 por cento deles disseram que estavam aprendendo coisas no trabalho que não aprenderam na universidade. Três quartos dos jovens de oportunidade concordaram que o fato de não ter um diploma universitário limitava suas opções.

"A exigência de diploma universitário no processo de contratação nega aos jovens de oportunidade a capacidade de ingressar, desenvolver habilidades no trabalho e criar oportunidades mais significativas de ter sucesso na carreira por toda a vida", afirmou o relatório. Em vez disso, eles ficam cada vez mais para trás.

A situação deles é ilustrada por um número surpreendente do relatório: 75 por cento dos empregadores consultados disseram que o diploma é uma forma efetiva de reduzir o número de candidatos e acelerar o processo de contratação.

Mais de 60 por cento disseram que o diploma universitário é uma forma efetiva de avaliar a ética laboral, as habilidades pessoais e a capacidade mental de um candidato. Mas se o diploma é um sinal de que você é brilhante e trabalha duro, existe o perigo de presumir que, sem ele, você não é nada disso.

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