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Dow-DuPont mostra que inovação é nova batalha em M&A na UE

Gaspard Sebag

(Bloomberg) -- O sucesso da Dow Chemical e da DuPont para transformar ideias inteligentes no laboratório em produtos usados por fazendeiros de todo o mundo quase provocou estragos para essas empresas quando os órgãos reguladores da União Europeia começaram a analisar sua multibilionária proposta de fusão.

O bloco vem se esforçando para incentivar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento como parte de sua agenda política e os órgãos reguladores de fusões da UE também abraçaram a causa, tentando garantir que as fusões e aquisições não obstruam o desenvolvimento de possíveis novos produtos antes que eles possam ver a luz do dia.

"Atualmente temos medidas que se concentram nos cérebros por trás das inovações, e não apenas no que está sendo criado", disse Jacques Derenne, advogado da Sheppard, Mullin, Richter & Hampton em Bruxelas, em entrevista. "Essa é a tendência. A UE quer garantir que as fusões não acabem sufocando as criações dos inovadores."

A fusão da Dow com a DuPont, anunciada há um ano, é a primeira a obter aprovação da UE de um trio de meganegócios que reformularia o setor agroquímico global -- no qual o risco à inovação é parte importante da análise antimonopolista.

'Evidências específicas'

Para garantir a aprovação da UE para a fusão, a DuPont prometeu vender grande parte de seus negócios atuais de pesticidas, incluindo atividades de pesquisa e desenvolvimento e pessoal. A Comissão Europeia afirmou que encontrou "evidências específicas" de que as duas empresas teriam reduzido a quantia gasta no desenvolvimento de produtos.

A inovação se tornou "muito importante" para a concorrência futura "porque a viabilidade da linha de produtos depende de sua capacidade de continuar inovando", disse Margrethe Vestager, comissária de concorrência da UE, a jornalistas, na segunda-feira.

Vestager disse que preservar a inovação no setor agroquímico global é de suma importância. "Esta é, literalmente, uma questão que tem a ver com o pão de cada dia e com a capacidade dos fazendeiros de usar diferentes sementes e diferentes pesticidas para garantir suas colheitas", disse ela.

A comissão deverá anunciar sua decisão sobre o acordo da China National Chemical para a compra da Syngenta já nesta semana. O próximo na fila é o plano da Bayer de comprar a Monsanto, que ainda não foi notificado formalmente aos órgãos reguladores para aprovação.

Os investigadores de fusões da UE "querem assegurar que haja concorrência pela inovação, que haja suficientes atores de inovação para manter a competição com base na inovação", disse o CEO da Syngenta, Erik Fyrwald, em entrevista à Bloomberg, na segunda-feira. "Acho que tudo isto está correto", disse ele. "Enquanto nós tomamos decisões a respeito do que poderíamos adquirir", a UE "precisa continuar garantindo que haja uma concorrência saudável de preços e de inovação".

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