Dois lados do Brexit devem construir, não demolir: Editorial

Os Editores

(Bloomberg) -- Hoje o Reino Unido apresentou formalmente a documentação de saída da União Europeia. Não há dúvida de que a decisão foi um grave erro. Mas está tomada. Agora britânicos e europeus precisam acertar o divórcio mais amigável possível.

A postura inicial da UE não foi amigável, o que é compreensível. O Reino Unido é que virou as costas e não deve esperar gratidão. Líderes europeus observam o sentimento contra a UE ganhar espaço em outros países e têm motivos para temer que diversos movimentos de saída do bloco ganhem força. Uma saída fácil (para não dizer triunfante) do Reino Unido daria a impressão errada.

A Europa pode impor punições dolorosas se quiser. Nos dois anos de negociações que se iniciam agora, o bloco pode simplesmente deixar o tempo passar e fazer com que o Reino Unido chegue ao fim do prazo sem um acordo transicional. Isso prejudicaria muito a economia britânica.

Porém, o Reino Unido continuará sendo parte importante da economia regional e sua piora prejudicaria o resto da UE.

A City (como é conhecido o distrito financeiro de Londres) fornece serviços financeiros para a Europa toda e além. Com o tempo, sem o Reino Unido plenamente inserido no sistema da UE, surgirão oportunidades de prosperidade para provedores sediados na UE. Uma paralisação forçada em Londres poderia acelerar esse processo - mas implicaria risco de turbulência severa na economia da UE.

Os negociadores sensatos da UE devem ter como objetivo ampliar as negociações de saída. Com o foco exclusivo nos termos da dissolução - especificamente nas obrigações financeiras dos britânicos para com a união -, ninguém sai ganhando. Há muito mais em jogo, incluindo as alianças de defesa e diplomacia do Reino Unido com integrantes da UE. Os dois lados deveriam tentar aprofundar a cooperação entre Reino Unido e UE em segurança e assuntos internacionais.

Os líderes europeus também devem se perguntar se uma abordagem punitiva ao Brexit de fato acalmaria sentimentos contrários à UE em outros países. A melhor forma de abrandar o ressentimento contra o alcance amplo e arrogante da UE seria justamente uma postura menos arrogante e espaçosa: dar aos governos nacionais mais flexibilidade ? não menos ? para lidar com questões como a imigração. Vale lembrar que uma postura mais flexível no passado poderia ter impedido o Brexit.

Do outro lado, a primeira-ministra Theresa May precisa convencer a Europa e seus eleitores de que o Reino Unido não pode querer tudo. O desejo de recuperar soberania ? especialmente o controle das fronteiras ? não é irracional, mas tem seu preço: as relações econômicas ficarão menos próximas.

O Reino Unido também precisa aceitar que tem obrigações financeiras para com a união. De forma unilateral, o governo britânico deve dar aos cidadãos da UE que hoje vivem e trabalham lá permissão para ficar. E deve enfatizar que deseja aprofundar sua cooperação com a UE em outras áreas.

O Brexit é um erro terrível, mas não precisa ser uma catástrofe. A tarefa agora não é demolir, mas sim construir o relacionamento futuro mais próximo possível entre Reino Unido e União Europeia.

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