Atenção, imigrantes: após Brexit, robôs querem seus empregos

John Ainger

(Bloomberg) -- No Reino Unido do Brexit, robôs se preparam para preencher as vagas dos imigrantes europeus enquanto o governo da primeira-ministra Theresa May se prepara para reduzir a imigração.

A Locus Robotics, com sede em Wilmington, Massachusetts, pretende começar a vender neste ano no Reino Unido uma máquina autônoma que circula por depósitos para entregar caixas das prateleiras a áreas de transporte. A suíça ABB fornece robôs industriais a produtores britânicos de panqueca, paparis e marshmallow. A japonesa Fanuc, que fabrica maquinaria controlada por computador para fornecedores de smartphone, planeja abrir uma nova fábrica no Reino Unido em maio.

Se o Brexit "vai resultar em menos gente envolvida neste tipo de trabalho, o mercado se tornará mais atraente para nós", disse o fundador da Locus, Bruce Welty, por telefone.

May, que deu início na semana passada aos dois anos de negociações sobre a saída da União Europeia, disse que pretende reduzir o número de imigrantes que entra no país anualmente para menos de 100.000, em contraste com os quase 300.000 atuais. Isso é particularmente preocupante para as companhias do Reino Unido em setores como produção de alimentos e distribuição de varejo, que dependem muito de imigrantes da UE e estão mais atrasadas que seus pares de outros lugares em termos de investimento em automação.

Cerca de um quarto dos embaladores e coletores em depósitos que abastecem empresas como Amazon, Asos e Wm Morrison Supermarkets não nasceu no Reino Unido, e 41 por cento das pessoas empregadas na produção de alimentos são do exterior, de acordo com o Observatório da Migração da Universidade de Oxford. Como o Brexit ameaça restringir o número de imigrantes da UE que entrará no Reino Unido, as empresas buscam acelerar sua incursão pela robótica e pela automação para tentar compensar a escassez de mão de obra.

A empresa de armazenamento Wincanton, que administra centros de distribuição para Kraft Heinz e outras companhias, estuda a aquisição de ferramentas da Locus Robotics porque projeta um aumento da demanda por seus serviços, informou em um comunicado enviado por e-mail.

"Existe um desafio em termos de mão de obra no mercado do Reino Unido para essas áreas de baixa capacitação", disse Ian Howe, diretor de bens de consumo da Wincanton, em entrevista por telefone. "Esperamos ver um impulso no setor para o uso de sistemas desse tipo a fim de compensar esses desafios."

Receio e solução

Embora o governo de May tenha prometido aumentar o investimento em inteligência artificial e robótica para elevar a produtividade, o Reino Unido está atrás de concorrentes no número de robôs empregados na produção. Excluindo-se as fabricantes de automóveis, o país tem 33 deles instalados para cada 10.000 funcionários, em comparação com 170 na Alemanha e 411 na Coreia do Sul.

Se os empregadores do Reino Unido adotarem a automação, 15 milhões de empregos britânicos poderiam ser eliminados, disse o economista-chefe do Banco da Inglaterra, Andy Haldane. Embora a ascensão dos robôs tenha provocado receios sobre o que acontecerá com os trabalhadores substituídos, alguns empregadores no Reino Unido consideram que ela é uma solução para a iminente escassez de mão de obra.

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