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Após pânico, investidores veem que há vida no México após Trump

Michelle F. Davis e Andrea Navarro

(Bloomberg) -- Há apenas quatro meses, os investidores se preparavam para um desastre no México. Parecia certo que acordos comerciais seriam rasgados. Milhares de mexicanos seriam expulsos de suas casas nos EUA e voltariam para o país. E a moeda local? As projeções para a taxa de câmbio desabavam.

Acontece que as coisas por lá na era Donald Trump não têm sido tão ruins.

O principal índice da bolsa mexicana reverteu perdas desencadeadas pela vitória de Trump na eleição para presidência dos EUA em novembro e acumula alta de 7 por cento neste ano. O peso mexicano, moeda que sofreu a maior desvalorização no mundo em 2016, agora dispara e está no topo da lista de moedas de países emergentes de melhor desempenho. Fundos de investimento como a Discovery Americas voltaram a comprar ativos no país, após suspenderem aplicações no início do ano.

A explicação de banqueiros e empresários é que as autoridades americanas adotaram um tom mais suave desde os tempos em que Trump baseava a campanha em críticas ao México. O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, afirma que a renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) pode ser benéfica para ambas as partes. O secretário do Comércio, Wilbur Ross, diz que o acordo será sensato. E Peter Navarro, presidente do Conselho Nacional de Comércio da Casa Branca, afirma que seu desejo é que Canadá, México e EUA se tornem potência global em manufatura. Alguns dos tropeços iniciais de Trump, como o colapso da proposta de lei para a saúde, também mostraram como é difícil realizar mudanças drásticas em Washington.

"Não parece o cenário catastrófico que todos achamos que fosse acontecer", disse Raul Martinez-Ostos, presidente do Barclays no México, durante uma conferência em Acapulco. "Está claro que as pessoas vão se sentar à mesa e discutir o relacionamento bilateral de forma benéfica para todos os envolvidos."

À medida que Trump esfriou seus ataques no Twitter contra o terceiro maior parceiro comercial dos EUA, os investidores voltaram a prestar atenção nos indicadores econômicos do México, que se mantiveram relativamente bons.

O principal índice acionário bateu recorde na semana passada e apenas oito das 35 componentes do indicador não acumulam ganhos neste ano. Também na semana passada surgiram sinais de retomada do mercado de aberturas de capital.

Companhias industriais americanas, que foram surpreendidas pelas ameaças de retaliação de Trump, estão novamente transferindo empregos para o lado sul da fronteira. Empresas como Illinois Tool Works, Triumph Group e TE Connectivity estão reduzindo ou fechando fábricas nos EUA e contratando gente no México.

O tom mais amigável talvez não dure para sempre. Representantes da Casa Branca insistem que os objetivos de Trump nas negociações em torno do Nafta não mudaram. Os EUA podem defender mudanças no acordo que elevem tarifas em determinados setores, alterem o tratamento tributário, expandam oportunidades na agricultura e fortaleçam regras de origem que favoreçam a economia americana, segundo rascunho de uma carta da Casa Branca ao Congresso que circulou na semana passada.

Os riscos para os mercados mexicanos também podem vir de dentro. O líder nas pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial de 2018, Andres Manuel Lopez Obrador, preocupou investidores com promessas de aumentar os gastos com bem-estar social e por se opor à entrada de investidores privados em setores tradicionalmente estatais, como o petrolífero.

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