População de Gibraltar teme influência espanhola no Brexit

Charles Penty

(Bloomberg) -- Peter Montegriffo não gosta do que as conversas sobre o Brexit podem significar para Gibraltar.

A decisão da União Europeia de dar voz à Espanha na formulação de acordos sobre o futuro do enclave britânico no Mediterrâneo deixa moradores como Montegriffo preocupados com a influência que o país ibérico pode vir a ter no futuro econômico da região. Afinal, Madri reivindica soberania sobre o território que está sob controle britânico desde 1713.

"Isto serve para ressaltar muito bem quais são as intenções da Espanha -- nesse sentido, trata-se de um alerta para Londres", disse Montegriffo, que foi ministro da Indústria e do Comércio de Gibraltar entre 1996 e 2000. "O objetivo deles é voltar o relógio em 300 anos. As pessoas temem que a Espanha esteja obcecada com esse assunto, o que é francamente antieuropeu e antidemocrático."

A decisão da UE de permitir que a Espanha dê a palavra final para qualquer acordo futuro sobre Gibraltar quando o Brexit entrar em vigor gerou tumulto no Reino Unido. Além de ressaltar a complexidade das negociações do Brexit para o Reino Unido, a disputa gera incerteza para a economia do território de 6,7 quilômetros quadrados localizado na extremidade sul da Espanha, baseada nos setores de serviços financeiros, jogos de azar e turismo.

"O risco é que isso torne as negociações do Brexit mais difíceis quando é do interesse de todos que elas transcorram o mais tranquilamente possível", disse Christian Hernández, presidente da Câmara de Comércio de Gibraltar.

Continuar britânicos

O primeiro sinal de problema veio na sexta-feira, quando surgiu a informação de que o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, havia concedido voz à Espanha sobre o futuro de Gibraltar depois que o Reino Unido deixar o bloco. O anúncio da UE causou consternação em Gibraltar, onde a enorme maioria dos moradores quer continuar sendo britânica, mas também votou maciçamente pela permanência no bloco formado por 28 países.

A economia de Gibraltar depende de impostos baixos e da liberdade de circulação dos trabalhadores espanhóis para atravessarem a fronteira para trabalhar. O fato de a Espanha ter voz nas negociações lançou uma sombra sobre o território.

Lembrança das Malvinas

A questão do papel da Espanha nos acordos sobre Gibraltar eclodiu no fim de semana, quando Michael Howard, ex-líder do Partido Conservador britânico, fez uma comparação com as Ilhas Malvinas, sugerindo que o Reino Unido poderia travar uma guerra com a Espanha para defender o promontório rochoso. Na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, Alfonso Dastis, exortou o Reino Unido a manter a calma e a primeira-ministra britânica, Theresa May, minimizou a insinuação de que o impasse poderia levar a uma guerra.

A comunidade de negócios de Gibraltar está preocupada com o poder da Espanha de perturbar a vida econômica do território, por exemplo, tomando medidas para restringir a fronteira, disse Nigel Birrell, CEO da Lottoland, uma empresa de Gibraltar que oferece apostas em loterias. Contudo, a Espanha provavelmente não conseguiria causar danos sérios à economia do território porque Gibraltar faz a maior parte de seu comércio diretamente com o Reino Unido, disse ele.

"A situação é um pouco irritante porque dá a impressão de que estamos sendo usados como moeda de troca", disse Birrell por telefone.

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