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Líderes mundiais se calam diante de medidas climáticas de Trump

Joe Ryan

(Bloomberg) -- O presidente Donald Trump vem tentando cortar pela raiz os esforços dos EUA para combater a mudança climática. Líderes ao redor do mundo assistem em silêncio.

Em público, praticamente não houve objeção de presidentes e primeiros-ministros às ordens abrangentes de Trump para acabar com leis ambientais. A chanceler alemã, Angela Merkel, não disse nada sobre o meio ambiente no mês passado quando esteve com o presidente americano. E dificilmente o assunto será discutido nesta semana quando ele se reunir com o presidente chinês, Xi Jinping.

A não reação internacional reflete a cautela das autoridades para lidar com as ameaças de Trump de suspender esforços mundiais para interromper o aquecimento global. Em vez de confrontá-lo publicamente, os líderes estão reservando aos bastidores as críticas a Trump na questão climática, evitando um embate que pode levar o americano a intensificar seu apoio aos combustíveis fósseis.

"O confronto será inútil - de fato, contraproducente - com o senhor Trump", disse Robert Stavins, diretor do Programa de Economia Ambiental da Universidade Harvard.

Talvez seja cedo para um confronto direto com Trump sobre o tema. Só sairá em maio a decisão dele de cumprir ou não a promessa de campanha de retirar os EUA do Acordo de Paris, o tratado histórico de 2015 para redução das emissões de gases que causam o efeito estufa, assinado por 190 países.

A saída dos EUA do Acordo de Paris teria reverberações mundiais. Como país mais rico e segundo maior poluidor do planeta, os EUA são essenciais nos esforços para impedir que a mudança climática chegue a um ponto irreversível que provoque inundações, secas e tempestades catastróficas, segundo cientistas.

A diplomacia é necessariamente uma dança de superficialidades e os líderes preferem não comprar briga com líderes que acabaram de chegar ao poder. Esse quadro é mais acentuado diante da imprevisibilidade associada a Trump e governos ao redor do mundo estão desenvolvendo estratégias para lidar com ele em uma série de assuntos que vão além do clima, como o comércio, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a soberania no Mar do Sul da China.

"Como seria com qualquer novo governo, a comunidade internacional está disposta a dar um pouco de tempo a Trump", disse Alden Meyer, diretor de políticas públicas da União de Cientistas Preocupados, que acompanha as negociações na Organização das Nações Unidas (ONU) há mais de duas décadas.

Isso não significa ausência de conflito no horizonte.

Merkel e outros sinalizaram que planejam pressionar Trump sobre o clima nas cúpulas econômicas do Grupo dos Sete e do Grupo dos 20, que neste ano serão sediadas por Itália e Alemanha. A ideia é que a pressão coletiva de várias nações terá mais influência sobre Trump do que esforços individuais de algum país, explicou Jake Schmidt, que acompanha negociações internacionais sobre o clima no Conselho de Defesa dos Recursos Naturais.

Os líderes mundiais não estão completamente silenciosos. O ministro de Energia da Dinamarca afirmou que são "preocupantes" as ordens executivas de Trump. Um jornal comandado pelo governo chinês, que tende a refletir o pensamento de Xi e seus assessores, condenou as decisões como expressão de "egoísmo político". O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse que Trump está colocando o mundo inteiro em perigo.

"Isso é um desastre", declarou Juncker durante um evento em Malta em 29 de março.

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