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Novos operadores no mercado de energia limpa geram riscos

Anna Hirtenstein

(Bloomberg) -- Como os geradores de energia eólica e solar estão passando a ser as fontes de energia dominantes, governos do mundo inteiro estão deixando de subsidiar o setor e criando novas oportunidades para que concessionárias de energia elétrica mais antigas, baseadas em carvão e em energia nuclear, consigam seus próprios projetos de combustíveis renováveis.

Na Europa, na América Latina e na Índia, os grandes fornecedores de energia, entre eles a Enel, a Vattenfall e a Engie, estão propondo a construção de parques eólicos e solares, oferecendo propostas de construção de baixo custo para obter contratos de fornecimento de energia. Isso pode significar eletricidade mais barata para os consumidores, mas está corroendo as margens de lucro e aumentando a concorrência entre os geradores pequenos e independentes que dominavam um setor antes considerado como marginal.

"O que se vê é que este setor está amadurecendo", disse Gunnar Groebler, diretor de energia eólica da Vattenfall, uma empresa de energia sueca que instalou mais de 1.000 turbinas eólicas em cinco países. "É mais uma questão de maturidade do que de aumentar riscos. Estamos mais bem preparados para lidar com os riscos e também mais maduros em termos de gerenciamento de projetos."

Sem querer ou não, governos e órgãos reguladores estão incentivando a tendência por meio de uma mudança na forma de apoiar as energias renováveis. Em vez de prolongar os subsídios tradicionais e os preços acima do mercado para a energia limpa, eles estão leiloando contratos para comprar energia de fontes renováveis. Em mais de 45 países onde esses leilões são realizados, os custos de energia solar normalmente caem até 50 por cento e os de energia eólica, 60 por cento, em dois anos, segundo análises da Bloomberg New Energy Finance.

Preocupações

Na Índia, os 10 maiores desenvolvedores atualmente estão ganhando 60 por cento dos contratos novos, quase o dobro da fatia de dois anos atrás, segundo Vinay Rustagi, analista da empresa de pesquisa Bridge to India. A italiana Enel e a finlandesa Fortum têm acesso a capital mais barato do que os desenvolvedores locais, que têm que tomar empréstimos em seus mercados domésticos, disse ele.

No Brasil, Rafael Brandão, sócio da Rio Alto Energia, com sede em São Paulo, tem as mesmas preocupações.

"Grandes empresas estão esmagando os preços nos leilões, o que torna inviável a participação de pequenos desenvolvedores", disse Brandão, cuja empresa está construindo três projetos de energia solar, com cerca de 30 megawatts de capacidade cada um. "Nos próximos leilões, veremos uma consolidação. As grandes empresas dispõem de financiamento corporativo mais barato. As menores têm que se concentrar no financiamento de projetos e dependem de bancos de desenvolvimento."

"O setor de renováveis terá que aceitar o que todos os outros setores aceitaram", disse Jeremy Nicholson, diretor do Energy Intensive Users Group no Reino Unido, que representa setores como siderurgia e produtos químicos. "Não é possível viver de subsídios para sempre. Será preciso demonstrar que é possível se sustentar sozinho. É isso que vai tornar esses setores financeiramente rentáveis no longo prazo."

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