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Mexicanos captam mensagem de Trump e tiram férias no Canadá

Andrea Navarro

(Bloomberg) -- Parece que os mexicanos sabem entender uma indireta. Sentindo-se indesejados nos EUA, cada vez mais turistas estão optando por viajar para outros lugares.

Os aeroportos de Miami, Orlando, San Antonio e Denver receberam menos viajantes procedentes da Cidade do México e de Guadalajara nos dois primeiros meses de 2017, enquanto Montreal, Toronto e Vancouver viram um aumento no trânsito proveniente da capital do México.

Não é difícil entender por que os mexicanos podem estar escolhendo alterar seus planos de viagem, seja por todos os golpes desferidos pelo presidente dos EUA, Donald Trump, pelo Twitter, seja por seus planos de construir um muro entre os dois países ou pela incerteza em relação às restrições de viagens. Por outro lado, em junho passado o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, anunciou planos de cancelar a exigência de visto para os mexicanos, permitindo que entrassem no país apenas com o passaporte.

"É por causa da incerteza, mais que nada", disse Duncan Wood, diretor do Instituto México do Centro Internacional para Acadêmicos Woodrow Wilson, em Washington. "Muitas pessoas cancelaram suas viagens para os EUA por não entenderem as novas regras."

Empresas aéreas

A notícia é ruim para as empresas aéreas focadas nas rotas EUA-México. As duas maiores empresas aéreas do México, Aeromexico e Controladora Vuela Cia. de Aviación, que opera como Volaris, recentemente reduziram suas estimativas de crescimento devido a uma demanda menor que a esperada.

O CEO da Volaris, Enrique Beltranena, atribuiu ao "fenômeno Trump" e seus efeitos sobre as viagens internacionais o motivo principal para a redução da projeção da empresa aérea para o crescimento da capacidade no segundo trimestre de 23 por cento para 18 por cento -- primeira revisão para baixo desde 2014 dessa aérea que oferece passagens baratas e se expande rapidamente.

O governo Trump ordenou que as autoridades aduaneiras intensificassem as checagens de visto dos visitantes, incluindo os do México. E embora os mexicanos não sejam diretamente afetados pela proposta de proibição sobre viagens de alguns países ou pelas restrições ao uso de aparelhos eletrônicos em voos vindos de alguns aeroportos, as medidas aumentam a confusão, disse Wood.

Uma diminuição do turismo proveniente do México poderia prejudicar as empresas americanas que atendem os viajantes, incluindo hotéis e destinos como parques temáticos. Os visitantes mexicanos gastaram US$ 19,7 bilhões nos EUA em 2015, ficando atrás apenas dos viajantes chineses e canadenses, segundo o Departamento de Comércio dos EUA.

O número de passageiros que partiram da Cidade do México com destino a San Antonio, nos EUA, caiu 34 por cento em janeiro e 37 por cento em fevereiro, segundo dados do Ministério das Comunicações e Transportes do México. Enquanto isso, o trânsito da Cidade do México para Montreal, Toronto e Vancouver subiu rapidamente, com ganhos de 67 por cento em janeiro e de 46 por cento no mês seguinte, dependendo do destino.

A Aeromexico, que tem uma malha aérea maior do que a da Volaris, pode compensar parcialmente o declínio com seu fluxo contínuo de viagens de negócios. A Volaris, que depende fortemente dos turistas mexicanos e de clientes que visitam amigos e familiares nos EUA, começou a ver alguma melhoria em março, escreveu Duane Pfennigwerth, analista da Evercore ISI, em uma nota na quinta-feira.

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