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Gênero de mutuário e de analista influem em crédito bancário

Suzanne Woolley

(Bloomberg) -- Uma conversa agradável com o analista de crédito do banco é suficiente para você conseguir o dinheiro de que precisa ou seu destino como tomador de empréstimos está relacionado exclusivamente a números concretos como a razão dívida/renda?

Isso pode depender do seu gênero - e do gênero do seu analista de crédito.

Se os dois forem homens, então falar de hobbies, do bairro, de filhos - coisas conhecidas como informações "suaves" - tem um impacto. Mas acontece que o homem do outro lado da mesa, que fazia parte dos mesmos grupos e que gosta dos mesmos bares que você, pode acabar lamentando o dia em que te conheceu.

Alguns estudos sugerem que a coleta de dados qualitativos (suaves) de mutuários sobre assuntos como família, amizades e outras questões pessoais e difíceis de conferir ajudam a reduzir as probabilidades de inadimplência de empréstimos. Mas isso também pode ser contraproducente, segundo os autores de "Making Sense of Soft Information: Interpretation Bias and Ex-Post Lending Outcomes".

O artigo acadêmico revelou que informações "duras" como análises de crédito e razão dívida/renda eram interpretadas da mesma maneira por analistas de crédito de ambos os sexos. No entanto, as interpretações divergiam quando as informações mais suaves entravam em cena e quando ambos, mutuário e credor, eram homens. Nesse caso, o resultado dos empréstimos era mensuravelmente pior.

Diferença

Dois anos depois da data de origem dos empréstimos acompanhados pelo estudo os dados mostraram que os resultados de crédito dos empréstimos feitos por homens para homens, para os quais também foram obtidas informações suaves, eram piores do que no caso das mulheres. O resultado, medido por eventos como reembolso e inadimplência, foi 12 por cento pior para mutuários homens do que mulheres.

O efeito não apareceu nos empréstimos onde o mutuário e o credor eram de gêneros diferentes ou quando ambos eram mulheres.

"Nós esperávamos que se o mutuário e o credor fossem do mesmo gênero, isso significaria que eles não analisariam de fato as informações suaves, porque eles se apoiariam no vínculo comum como fonte de confiança", disse a coautora, Maria Loumioti, professora convidada da Sloan School of Management do MIT. "Se você tiver alguma identidade em comum - ser do mesmo bairro ou os filhos vão à mesma escola - isso pode, subconscientemente, fazer você sentir que pode confiar nessa pessoa, não por saber mais coisas sobre ela, mas porque você se identifica por meio desse vínculo."

Os resultados são "consistentes com estudos psicológicos que mostram que, no que se refere a identidade de gênero, essa confiança e essa identificação funcionam principalmente entre homens - e não entre mulheres", disse ela.

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