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O preço do sucesso de Sidney: casas caríssimas, viagens longas

Emily Cadman e Matthew Winkler

(Bloomberg) -- Akhilesh Mehta senta no assento do ônibus e se prepara para a viagem de uma hora e meia de seu trabalho no centro de Sidney até sua casa nos subúrbios da cidade. Enquanto o ônibus se arrasta pelo trânsito engarrafado, o contador de 48 anos diz que ele aguenta a viagem por um simples motivo: na hora de comprar uma casa familiar, a periferia da cidade era "o único local que eu podia pagar".

Nova Gales do Sul assumiu o papel de motor econômico da Austrália por causa da diminuição do boom de investimentos em mineração, e o centro de Sidney contribuiu com quase um quarto do crescimento do país no ano fiscal passado. Esse sucesso teve seu preço. À medida que trabalhadores chegam em massa a Sidney, a falta de oferta habitacional, somada a taxas de juros em recordes negativos, transformou a cidade no segundo mercado imobiliário mais caro do mundo. Os preços das casas deram um salto de 19 por cento nos últimos 12 meses, fato que alimentou a preocupação de que ter uma casa esteja cada vez mais longe do alcance dos jovens.

Esse é um grande problema político para a nova primeira-ministra do estado, Gladys Berejiklian, que deu prioridade à acessibilidade da moradia quando tomou posse no fim de janeiro.

A acessibilidade da moradia é "um assunto polêmico", disse Berejiklian, 46, em entrevista do escritório dela em Sidney na quinta-feira. "Estamos convencidos de que se exercermos uma pressão descendente nos preços mediante a oferta será a melhor forma para resolver o problema como governo estadual."

Barreiras

A expansão da oferta habitacional de Sidney tem várias barreiras. A cidade limita-se com montanhas ao oeste, com o oceano ao leste e com rios e parques nacionais ao norte e ao sul, fato que restringe a oferta de novos terrenos, e medidas para aumentar a densidade habitacional em subúrbios consolidados tiveram a resistência dos moradores.

Por isso, nos últimos três anos, quase 70 por cento das novas moradias foram construídas a mais de 30 quilômetros do distrito central de negócios de Sidney, segundo uma análise de dados do governo estadual feita pela consultoria imobiliária Charter Keck Cramer.

Nem sequer aquelas casas são baratas. Em Rouse Hill, perto de onde Mehta mora, os preços nos novos conjuntos residenciais que pontilham uma área que antigamente era semirrural dispararam 63 por cento desde 2012, alta que inclui um incremento de 7,8 por cento nos 12 meses até fevereiro, segundo a empresa fornecedora de dados CoreLogic.

Medidas

Berejiklian aponta para uma sequência de investimentos em infraestrutura por 53 bilhões de dólares australianos (US$ 40 bilhões), entre eles uma nova linha de trem urbano que conecta Rouse Hill à cidade e novas estradas, como parte das iniciativas de seu governo para esfriar os preços dos imóveis e reduzir os tempos de viagem.

Berejiklian diz que o incremento da oferta habitacional fez com que a mediana de preços de casas em Sidney seja de 50.000 dólares australianos a menos do que teria sido se o governo não tivesse feito a intervenção.

Isso pode ser um triste consolo para compradores jovens com dificuldades para economizar, já que hoje a mediana de preços de casas é de 8,4 vezes a média de renda doméstica, frente a 5,8 vezes há 15 anos, segundo a CoreLogic.

"Não sei qual a solução, mas eu temo pelos meus filhos," diz Mehta.

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