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Trump limita vistos e estudantes indianos avaliam alternativas

Pradipta Mukherjee e Ganesh Nagarajan

(Bloomberg) -- Rahul Kolli estava preparado para ir para os EUA para cursar um mestrado em Ciência de Dados após ser aceito na Universidade Tecnológica de Michigan e conseguir um financiamento estudantil de 2,7 milhões de rúpias (US$ 42.000).

Mas então Donald Trump foi eleito presidente dos EUA e prometeu limitar os vistos de trabalho, que, segundo ele, reduzem os salários dos americanos. Por essa razão, Kolli mudou de tática e optou pela Universidade de Dublin, na Irlanda. Ele afirma que terá a metade do custo total orçado para os EUA e que planeja trabalhar no país após os estudos.

Os ataques recentes a pessoas de etnia indiana nos EUA deixaram os pais do consultor de SAP, Rohit Madhav, de 27 anos, cautelosos em relação aos planos dele para o Ensino Superior. Pediram que ele ampliasse sua busca fora dos EUA -- incluindo Canadá, Nova Zelândia e também instituições locais, conta ele.

Essas preocupações estão levando a um declínio do número de matrículas em algumas universidades dos EUA porque os indianos estão reconsiderando aquela que há tempos é sua primeira escolha para os estudos no exterior, impulsionados pelo sucesso de imigrantes como o cofundador da Sun Microsystems, Vinod Khosla, e o CEO do Google, Sundar Pichai. Agora, a segurança e as dúvidas a respeito do caminho para o emprego estão sendo ponderadas em um momento em que o governo Trump começa a reformular o programa de visto para trabalhadores estrangeiros H-1B, mais usado por indianos do que por pessoas de qualquer outra nacionalidade.

"A onda recente de ataques racistas a indianos é assustadora", disse Madhav, de Mumbai, que planeja cursar uma faculdade de Administração e financiar seus estudos com um empréstimo. "Se eu permanecesse nos EUA para trabalhar, poderia pagar o empréstimo em dois a três anos. Mas se eu voltar para a Índia para trabalhar, serão necessários sete a oito anos."

O caminho até o emprego é crucial para os muitos indianos que contam com um misto de empréstimos, bolsas de estudo e poupanças familiares para financiar seus cursos superiores no exterior. Com um total recorde de 165.918 pessoas, eles formaram o segundo maior grupo de estudantes estrangeiros nos campi dos EUA em 2015-2016, segundo relatório do Instituto de Educação Internacional (IIE, na sigla em inglês).

Os estudantes estrangeiros nos EUA podem fazer até um ano de treinamento prático, extensível para aqueles com qualificações em certos campos de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Mais de setenta e cinco por cento dos indianos buscam formações nessas áreas, segundo o IIE, o que garante a eles uma chance maior de encontrar empregos de período integral e de conseguir um dos poucos vistos H-1B emitidos por ano.

Durante sua campanha presidencial, Trump chamou o H-1B de "programa de mão de obra barata".

Em 31 de março, seu governo emitiu diretrizes que exigem mais informações dos programadores de computadores que se candidatam ao H-1B para provar que os empregos exigem conhecimento e experiência avançados. Os parlamentares também apresentaram diversos projetos de lei que forçariam uma reforma mais ampla.

As modificações do programa de visto "serão o fator que gerará mudanças no padrão de matrículas dos estudantes estrangeiros nos Estados Unidos", disse Timothy Brunold, reitor de admissões da Universidade do Sul da Califórnia, em Los Angeles, por telefone, em 6 de março. "A pergunta na nossa mente é quanto ao ano que vem ou os anos subsequentes. É possível que os estudantes comecem a analisar outros lugares e a planejar em diferentes direções devido à incerteza."

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