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China enfrenta dilema de US$ 9 tri com produtos de gestão

Bloomberg News

(Bloomberg) -- Como muitos investidores individuais na China, Yang Mo não faz ideia do que há nos produtos de gestão de riqueza (WMP, na sigla em inglês) que representam grande parte da sua fortuna pessoal.

Ela diz que não é importante saber. Certamente, WMPs investem em todo tipo de ativos arriscados, mas o governo nunca deixaria que um WMP grande falisse, explica ela.

"Não é como o governo chinês faz coisas, nem sequer é a cultura chinesa", diz Yang, profissional de relações públicas de 29 anos em Pequim.

A atitude dela é um lugar-comum na maior economia da Ásia, onde poupadores colocaram US$ 9 trilhões em WMPs e produtos similares na hipótese de que eles serão resgatados caso os investimentos saiam errado. Mesmo depois da notícia, anunciada em fevereiro, de que as autoridades estão redigindo normas para deixar claro que não existem garantias do Estado, Yang é destemida. Ela diz que só retirará dinheiro dos WMPs no improvável caso de que eles comecem a dar prejuízo.

A fé inquebrantável de Yang nos resgates ilustra o dilema para as autoridades na tentativa de reduzir o risco moral e melhorar a precificação de riscos no sistema financeiro chinês: talvez seja necessário o colapso de um grande WMP para tirar os investidores da complacência, acontecimento que poderia causar estragos em bancos que dependem cada vez mais desses produtos para se financiar.

"Somente depois do calote de perfil alto de um WMP é que os investidores começarão a se preocupar com o dinheiro deles", diz Hao Hong, um estrategista da Bocom International Holdings em Hong Kong famoso por suas projeções proféticas sobre os mercados chineses.

'Bolha'

Hong caracteriza a proliferação de WMPs de "bolha" que acabará estourando, mas ele diz que perdas iminentes são improváveis porque as autoridades estão concentradas em manter a estabilidade do mercado antes de uma troca de líderes no fim de 2017.

Os WMPs são a maior categoria de produtos de gestão de ativos, com cerca de 29,1 trilhões de yuans (US$ 4,2 trilhões) em ativos no fim de dezembro, segundo a Comissão Regulatória Bancária da China (CBRC, na sigla em inglês). Eles também são os produtos com menor risco, na visão dos poupadores chineses.

É fácil ver por quê. Apesar de investirem em ativos voláteis, de títulos corporativos e ações até imóveis, os WMPs produziram retornos notavelmente constantes. Apenas 44 de mais de 181.000 produtos que venceram em 2015 deram prejuízo, e a maioria foi vendida por bancos estrangeiros. Os WMPs emitidos na semana passada promoviam um retorno anualizado médio de cerca de 4,3 por cento, segundo a PY Standard, uma empresa de pesquisa com sede em Chengdu, frente à taxa de depósitos de referência a um ano de 1,5 por cento.

Desafio

O desafio para os responsáveis pela política econômica é criar um ambiente onde WMPs em problemas possam provocar perdas aos investidores sem desencadear um êxodo em massa. A abordagem mais provável do governo será deixar WMPs deficitários falirem antes de intervir para conter os efeitos, segundo Andrew Collier, diretor administrativo da Orient Capital Research e autor de um livro sobre a banca paralela. Isso poderia resultar em uma "crise financeira limitada" concentrada em bancos de menor tamanho, diz ele, e acrescenta que algumas instituições provavelmente seriam recapitalizadas pelo governo ou fusionadas com outras de maior tamanho.

Quanto aos poupadores chineses que perderem o dinheiro, Collier diz que essa seria uma experiência de aprendizagem importante. "A banca paralela foi uma lição importante de capitalismo e ela ensinou muitos chineses a administrar dinheiro em um ambiente de livre mercado", diz ele. "Porém, o investidor comum ainda não aprendeu as verdadeiras lições sobre os riscos do capitalismo."

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