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Engenheiros jogadores de pôquer enfrentam IA e perdem feio

Bloomberg News

(Bloomberg) -- O investidor Alan Du, que também é veterano da Série Mundial de Pôquer, estava em seu quinto dia de confronto com um adversário frio -- e as derrotas se acumulavam.

O rival literalmente não era humano. O motivo é que Du enfrentou "Lengpudashi", uma versão atualizada do programa de inteligência artificial Libratus que conseguiu um grande feito ao vencer quatro dos melhores jogadores profissionais de pôquer do mundo em janeiro. Mantido em um centro de supercomputação perto da Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh, EUA, seu nome pode ser traduzido como "mestre frio do pôquer".

Du e cinco membros da equipe jogaram 36.000 mãos contra a máquina no decorrer de cinco dias. Na segunda-feira, no centro de conferências de um resort na ilha de Hainan, na China, o resultado final baseado em pontos foi anunciado: a IA ganhou por uma enorme diferença.

O pôquer é um jogo popular entre os capitalistas de risco porque "cada mão que você joga é como investir, tentando avaliar os riscos e o retorno", disse Du, um investidor-anjo que se tornou o primeiro cidadão da China continental a ganhar um bracelete de ouro da Série Mundial de Pôquer (WSOP, na sigla em inglês) em Las Vegas, no ano passado. "Nós nos mantivemos muito bem no jogo contra esse adversário de classe mundial."

As complexas estratégias de aposta do pôquer e o elemento do blefe tornam o jogo particularmente intrigante para os pesquisadores de IA. O jogador decide apostar, blefar ou desistir sem nunca ver a mão completa do oponente -- um tipo de desafio diferente dos de jogos como xadrez ou Go, nos quais todas as peças podem ser vistas com clareza no tabuleiro.

Du havia tentando vencer onde os profissionais fracassaram ao empregar sua compreensão da IA. Diferentemente dos jogadores da partida de janeiro, que se basearam em seus anos de experiência profissional, a equipe chinesa de Du incluía engenheiros, cientistas da computação e investidores, que tentaram aplicar seu conhecimento em inteligência de máquina e teoria de jogos para contra-atacar os movimentos da máquina. Não foi suficiente.

A última exibição de IA, organizada pela Sinovation Ventures e pelo governo de Hainan, não atraiu a mesma atenção da disputa do ano passado entre o AlphaGo, da Google DeepMind, e Lee Sedol, mestre coreano do jogo de tabuleiro Go, em Seul. O motivo, talvez, é que até mesmo os observadores casuais estão mais acostumados a verem os softwares de IA superarem os humanos. O Google anunciou na segunda-feira que seu software de IA DeepMind enfrentará Ke Jie, jogador de Go chinês líder do ranking mundial, em uma revanche do homem contra a máquina.

Tuomas Sandholm, professor de Ciência da Computação da Carnegie Mellon, vem aperfeiçoando a pesquisa que serve de base para o Libratus desde 2004, melhorando sua capacidade de tomar decisões em situações com informação imperfeita. O objetivo de treinar a IA para vencer em jogos como xadrez, Go e pôquer não é o jogo em si, mas o fato de ambientes controlados ajudarem os computadores a aperfeiçoarem a tomada de decisões estratégicas. Essa capacidade de raciocínio pode, então, ser aplicada aos problemas do mundo real, como por exemplo nos negócios, nas finanças e em cibersegurança, disse ele.

"As pessoas têm um entendimento a respeito daquilo em que computadores e pessoas são bons. As pessoas pensam que o blefe é algo humano, mas isso não é verdade", disse Noam Brown, estudante de doutorado da Sandholm e codesenvolvedor do Libratus. "Um computador pode aprender com base na experiência de que se ele tem uma mão fraca e blefa, pode ganhar mais dinheiro."

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