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Fãs extremistas colocam Le Pen no mesmo dilema de Trump

Angeline Benoit e Helene Fouquet

(Bloomberg) -- Assim como ocorreu com Donald Trump quando era candidato à presidência dos EUA, a francesa Marine Le Pen se vê numa situação delicada diante do racismo e antissemitismo manifestados por alguns de seus fãs.

Quando foi cobrada de Trump uma posição de repúdio ao apoio que recebeu de David Duke, o ex-grão-mestre da Ku Klux Klan, ele respondeu: "Não sei nada sobre ele." A líder da Frente Nacional, partido que é contra a imigração, também se mostrava vaga quando confrontada com opiniões extremas de eleitores. No domingo, isso mudou.

Em entrevista a uma estação de rádio, a candidata de 48 anos fez comentários que absolviam a França da responsabilidade pela detenção, em 1942, de mais de 13.000 judeus que depois foram deportados para campos de concentração nazistas em Auschwitz. Com isso, o passado antissemita da Frente Nacional voltou às manchetes.

Foi a primeira posição dela sobre o tema desde que assumiu o comando do partido, em 2011, e atraiu críticas de grupos judaicos, da mídia e de seus oponentes. Observadores políticos acham que os comentários visaram satisfazer parte da base dela e dar impulso a sua campanha à presidência, que anda perdendo fôlego.

"Ela escolheu um tema que sabe que vai agradar a eleitores de direita que odeiam arrependimento e assegurar a base mais conservadora dela", disse o pesquisador Nicolas Lebourg, especialista em movimentos de extrema direita da Universidade de Montpellier. "Ela não vai ganhar novos eleitores com isso, mas também não vai perder nenhum."

Nas pesquisas de intenção de voto, Le Pen disputa cabeça a cabeça com Emmanuel Macron o primeiro turno da eleição à presidência, que acontecerá em 23 de abril. A história conturbada do partido fundado pelo pai dela não sai de cena. Ela sempre agiu metodicamente para evitar comentários racistas ou antissemitas e até expulsou o pai do partido por isso. Contudo, a proximidade de seu partido com extremistas é apontada como motivo para ela não liderar as pesquisas de intenção de voto no segundo turno, em 7 de maio.

Vel' d'Hiv

No domingo, Le Pen abriu feridas antigas ao falar sobre o papel da França no chamado caso Vel' d'Hiv. Nos dias 16 e 17 de julho de 1942, a polícia francesa prendeu milhares de judeus em Paris e arredores, atendendo à solicitação de autoridades da Alemanha nazista. Os presos ficaram no velódromo d'Hiver e depois foram deportados para campos de concentração. Um terço do grupo era formado por crianças.

Em julho de 1995, o então presidente Jacques Chirac pediu desculpas e admitiu a responsabilidade do governo francês, se distanciando da posição oficial de que o governo de Vichy, na Segunda Guerra Mundial, não representava o país. Le Pen defendeu a posição antiga.

"Se há algum responsável, foram os que estavam no poder na época, não a França", ela declarou em entrevista à RTL. "A França é mal tratada na cabeça das pessoas há anos. Nossas crianças foram ensinadas que têm todos os motivos para criticá-la, para enxergar apenas seus aspectos mais sombrios. Eu quero que elas tenham orgulho novamente de serem francesas."
Organizações judaicas acusaram a candidata de apresentar uma opinião "revisionista" da história.

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