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Reclamação dos americanos sobre carga tributária não procede

Ben Steverman

(Bloomberg) -- Nesta época do ano, os americanos costumam repetir que pagam impostos demais. Seu presidente concorda:

"Com impostos menores para a classe média e as empresas da América, veremos uma nova disparada do crescimento econômico e do desenvolvimento", declarou Donald Trump neste mês, após prometer baixar a conta cobrada pelo Tio Sam. Porém, a realidade é que o trabalhador médio dos EUA paga menos impostos do que pagaria em outros países desenvolvidos. E tem sido assim há muito tempo.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) analisou a cobrança de impostos de assalariados em 35 países, permitindo a comparação da carga tributária das maiores economias do mundo. Todo ano, a OCDE mede a diferença entre o que um trabalhador recebe e o que gasta/economiza. O cálculo inclui impostos de renda e sobre folha de pagamento, créditos tributários e devoluções que complementem a renda do trabalhador, mas exclui diversas maneiras pelas quais um governo taxa seus cidadãos, como impostos sobre vendas, valor agregado, propriedades e ganhos com investimentos.

No topo da lista estão Bélgica e França. Na ponta oposta, os trabalhadores do Chile e da Nova Zelândia são os que pagam menos impostos. Os EUA ficaram no terço inferior do ranking.

Um trabalhador solteiro que recebe salário mediano na Bélgica acaba pagando uma alíquota tributária quase oito vezes maior do que uma pessoa de perfil parecido no Chile, concluiu a OCDE.

Mas um único indicador pode ser enganoso quando se trata do quadro nacional. Contribuintes casados e com filhos costumam pagar alíquotas distintas dos solteiros sem filhos. E na maioria dos países, incluindo os EUA, quem vai bem de vida paga muito mais do que as pessoas de baixa renda.

Analisando casais com filhos, os rankings ficam diferentes. A Nova Zelândia ficou com a menor taxa e a França com a maior.

Nos EUA, na média, o trabalhador solteiro sem filhos recebeu US$ 52.543 no ano passado e pagou US$ 13.649 em impostos federais, estaduais, locais e sobre a folha de pagamento. O empregador contribuiu mais US$ 4.020 em encargos sobre a folha. A alíquota geral, de 31,7 por cento, pode parecer elevada, mas é 4 pontos mais baixa do que a média da OCDE.

Em todos os outros cenários analisados no relatório de 584 páginas intitulado "Taxando Salários", a carga tributária nos EUA também ficou abaixo da média ? entre 3 e quase 6 pontos, dependendo do salário, estado civil e número de filhos do contribuinte. De fato, a carga tributária incidente sobre a maioria dos trabalhadores americanos não mudou muito nas duas últimas décadas, apesar dos cortes promovidos pelo ex-presidente George W. Bush e dos aumentos de impostos para os mais ricos implementados por Barack Obama.

Em dois dos países com a maior carga tributária, os trabalhadores tiveram algum alívio no ano passado. A alíquota tributária média para solteiros diminuiu em 2,5 pontos percentuais na Áustria e em 1,3 ponto na Bélgica de 2015 para 2016. De todo modo, os dados da OCDE sugerem que a carga tributária de um país permanece notavelmente consistente de um ano para outro e de uma década para outra.

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