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Fed talvez precise conviver com enorme balanço patrimonial

Luke Kawa

(Bloomberg) -- O que as manobras do Tesouro americano para continuar pagando as contas do país indicam sobre os esforços do banco central (Federal Reserve) para reduzir seu balanço patrimonial após anos de estímulos?

Há muita informação aí, segundo Zoltan Pozsar, analista de pesquisa do Credit Suisse Group em Nova York. Ele sugere que, ao focar nas intenções da maioria no alto escalão do Fed de começar a enxugar os ativos da instituição neste ano, os investidores estão deixando de enxergar o papel crucial do governo americano na determinação da oferta global de dinheiro.

"Grande é lindo. Grande é necessário", escreveu Pozsar. "Aprenda a conviver com isso."

Devido a um acordo costurado para evitar um impasse no Congresso em torno do teto da dívida durante a campanha presidencial, o Tesouro tem diminuído seus saldos em dinheiro junto ao escritório regional do Fed em Nova York, ajudando a aumentar a liquidez e forçando um recuo na nova métrica de medo nos mercados, segundo o Banco de Compensações Internacionais (BIS).

O chamado spread de base de moedas cruzadas, que mede o custo para converter pagamentos locais em dólares (a partir de ienes, por exemplo), ficou mais barato ultimamente, em parte porque o Tesouro tem acessado esses saldos. Isso libera mais recursos para oportunidades de arbitragem, oferecendo um canal para investidores e bancos estrangeiros adquirirem dólares de forma mais barata e mantendo as condições monetárias globais relativamente relaxadas.

Contudo, esse procedimento improvisado contrasta com o que o Fed - considerado por muitos o banco central do mundo - tem estudado para começar a reduzir o efeito de anos de estímulos extraordinários que ampliaram seu balanço patrimonial para US$ 4,5 trilhões.

O quadro sugere que o custo de conversão de moedas estrangeiras em dólares pode aumentar novamente com a reversão do fenômeno temporário causado pelo drama em torno do teto da dívida, apertando as condições financeiras, afirmou Pozsar.

As "medidas extraordinárias" do Tesouro "motivaram o colapso das bases de moeda cruzada", segundo ele.

Ao considerar a normalização do balanço patrimonial, o Fed talvez precise reconhecer como as tendências recentes dos mercados desencadeadas pelo Tesouro podem funcionar de modo inverso - e como os mercados financeiros globais reagiriam se a instituição intensificasse essas pressões ao reduzir seu balanço patrimonial, acrescentou Pozsar.

Por sua vez, reservas menores significam custo maior para obtenção de financiamento em dólares. O analista calcula que cada US$ 100 bilhões em reservas retiradas pelo Fed equivalem a um aumento de 10 pontos-base nas bases de moeda cruzada -- ou, na interpretação de Pozsar, um aumento de juros de 0,10 ponto percentual para o resto do mundo. À medida que o enxugamento do balanço patrimonial impacta os mercados financeiros e os custos globais de captação, o Fed pode ser pressionado a reavaliar seus planos.

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