Mudança nos vistos dos EUA afeta setor de tecnologia da Índia

Saritha Rai

(Bloomberg) -- Não é exagerada a importância do setor de tecnologia para a Índia. Nas últimas três décadas, o setor de TI ajudou a impulsionar o crescimento econômico do país, criou emprego para milhões de pessoas e converteu pelo menos sete fundadores de empresas em bilionários.

Agora, o setor corre perigo devido às políticas do presidente dos EUA, Donald Trump. O governo americano promete restringir os vistos de trabalho utilizados pelos serviços de tecnologia da Índia para atender clientes americanos. No tempo transcorrido desde que o governo dos EUA tomou as primeiras medidas para reformar o sistema de vistos, os magnatas indianos mais importantes da tecnologia viram suas fortunas líquidas diminuírem.

Azim Premji, presidente da Wipro e o quinto homem mais rico da Índia, e Shiv Nadar, a sexta pessoa mais rica do país e presidente da HCL Technologies, viram suas ações recuarem. Narayana Murthy, Nandan Nilekani e três outros fundadores da Infosys, que estão na lista dos 100 bilionários mais ricos da Índia, também foram afetados. As ações de empresas de TI caíram cerca de 3 por cento no período e o índice de referência subiu 0,6 por cento.

"O que preocupa as empresas é se essas mudanças serão precursoras de medidas mais radicais", disse DD Mishra, diretor da Gartner com sede em Pune, na Índia.

Programa H-1B

O centro do debate é o programa de vistos H-1B, que autoriza que as empresas levem 85.000 funcionários do exterior para os EUA todos os anos. Em 31 de março, justo quando as empresas se preparavam para apresentar pedidos para a lista do ano que vem, o governo Trump implementou uma série de medidas políticas que tornam mais difícil que as companhias usem o programa para programadores e anunciou outras medidas para combater o que descreveu como "fraudes e abusos".

Por sua vez, o Departamento de Justiça advertiu aos empregadores que solicitavam vistos que não discriminassem trabalhadores americanos. Tudo isso se encaixava nas promessas da campanha presidencial de Trump de reformar o programa que, segundo ele, leva aos EUA mão de obra estrangeira barata à custa dos empregos e salários dos americanos.

Na Índia, essas promessas soam como ameaças à economia do país. A tecnologia da informação é a que gera mais empregos no setor privado, fornecendo subsistência a quase 4 milhões de pessoas e contribuindo com cerca de 9 por cento do PIB. As exportações de software e serviços da Índia totalizam cerca de US$ 110 bilhões, dois terços dos quais provêm dos EUA.

Planos

As companhias estão trabalhando em planos de contingência. Se os funcionários estrangeiros não puderem entrar nos EUA ficará mais caro contratar pessoal local. As empresas também podem tentar prestar mais serviços para clientes americanos estando no exterior, inclusive na Índia.

Nitin Rakesh, CEO da fornecedora de serviços de tecnologia Mphasis, é otimista. Ele disse que o setor passou por quatro ou cinco reencarnações desde o começo do negócio da terceirização. As restrições impostas por Trump poderiam levar a maiores inovações no modelo.

"Aproveitando toda a tecnologia possível, inclusive a mobilidade e a nuvem, as oportunidades de crescimento são imensas", disse Rakesh, ressaltando, porém, que algumas empresas vão se adaptar e outras talvez não. "O crescimento não será homogêneo."

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos