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Firmas de private equity dos EUA inflam retorno com empréstimos

David Carey

(Bloomberg) -- A era dos anabolizantes chegou ao segmento de private equity nos EUA.

Assim como muitos atletas, as firmas que compram participações em companhias de capital fechado usam um artifício para melhorar o desempenho, segundo executivos.

A prática não é ilegal e tem um aspecto bastante cosmético. Porém, permite que as firmas de private equity alterem a taxa interna de retorno, a métrica mais usada para atrair potenciais investidores. A estratégia basicamente lança mão de empréstimos bancários de curto prazo para reduzir o tempo em que o dinheiro dos investidores é utilizado, impulsionando os resultados anuais. Segundo estudo recente, isso pode produzir taxas de retorno 25 por cento maiores ou até mais.

"A gestora deve ser contratada com base em quanto é fundamentalmente boa em investir e essa prática obscurece isso", disse Andrea Auerbach, responsável por pesquisa de private equity na firma de investimentos Cambridge Associates, sediada em Boston.

Essa estratégia vem sendo cada vez mais usada nos últimos anos, refletindo em parte a angústia dessas instituições para produzir lucros em um momento de disparada dos preços de aquisição. Outro catalisador é o fato de as taxas básicas de juros estarem próximas de zero, barateando os empréstimos.

Nada de mais

Os números inflados não são nada de mais para alguns fundos de pensão e outros investidores sofisticados. Afinal, a tática também faz com que suas escolhas pareçam inteligentes e o impacto sobre os lucros costuma ser pequeno. Além disso, alguns fundos de pensão compensam gestoras com base nas taxas internas de retorno que produzem.

Mas há quem se incomode, argumentando que o fenômeno não só engana como tem desvantagens reais, potencialmente reduzindo o retorno em dinheiro ao forçar os investidores a repassar comissões a gestoras sem bom desempenho. Preocupada com a distorção, a Associação de Sócios Institucionais Limitados planeja apresentar diretrizes em breve para garantir que as gestoras revelem mais aos investidores sobre o uso desses empréstimos e sobre o impacto nas taxas de retorno.

"Isso pode fazer um fundo medíocre parecer incrível", disse David Fann, presidente da consultoria de previdência TorreyCove Capital Partners.

Firmas de participação em capital fechado começaram a usar empréstimos bancários de curto prazo há mais de uma década para cobrir faltas temporárias de fundos. Mas, como nos últimos anos os juros permaneceram baixos, as firmas enxergaram o potencial para amplificar as taxas de retorno.

Matemática simples

A eficácia da estratégia é simples matemática. Os investidores das firmas de private equity geralmente precisam contribuir quando surge um acordo para comprar uma empresa. Agora, no entanto, essas firmas preferem não pedir o dinheiro dos investidores por meses e optam por acessar linhas de crédito para completar uma aquisição.

Somente mais tarde a firma solicita o dinheiro dos investidores. Isso significa uso desse dinheiro por período mais curto, o que infla os resultados anualizados do fundo. Por exemplo, uma taxa de retorno de 100 por cento fica melhor em bases anualizadas quando dividida por três anos em vez de cinco anos.

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