Bolsas

Câmbio

Setor tecnológico prega igualdade, mas foge da transparência

Laura Colby

(Bloomberg) -- Ao imprimir seu currículo, Grace Anderson nota que está faltando 20 por cento dele. Ainda assim, suas qualificações são tantas que ela recebe uma oferta para o trabalho que busca de um homem que diz: "Achamos que você vai gostar da oferta -- que entregamos a outra pessoa. Você ganhará 20 por cento menos."

Grace é uma personagem de um vídeo preparado para o Dia da Igualdade Salarial, celebrado em 4 de abril, pelo LeanIn.org, o grupo de empoderamento feminino fundado pela diretora de operações do Facebook, Sheryl Sandberg. O vídeo humorístico mostra uma discriminação flagrante, mas a realidade da desigualdade salarial entre gêneros é muito mais complexa e obscura.

Muitas empresas, entre elas o Facebook, afirmam que pagam homens e mulheres igualmente, mas relutam em compartilhar informações a respeito, mesmo quando pressionadas por investidores, funcionários e órgãos reguladores do governo.

O exemplo recente mais famoso é o Google, da Alphabet. Um funcionário do Departamento do Trabalho dos EUA (DOL, da sigla em inglês) disse à Justiça na sexta-feira que encontrou "disparidades sistêmicas em termos de remuneração" contra mulheres na empresa. Em comunicado enviado na segunda-feira à noite, o Google afirmou que "foi tomado de surpresa pela afirmação, que surge sem qualquer informação ou metodologia como base".

O DOL processou a companhia em janeiro por se recusar a fornecer informações sobre salários como parte de uma auditoria de conformidade realizada em contratadas federais. A agência preferiu não comentar o assunto, citando como motivo o caso em andamento.

"Muito poucas empresas abriram a caixa preta", disse Emily Martin, vice-presidente para justiça no ambiente de trabalho do Centro Nacional de Direito da Mulher (NWLC, na sigla em inglês). "A maioria se limita a dizer 'confiem em nós'."

O Facebook e o Google enfrentam -- e contestam -- propostas dos acionistas relacionadas à igualdade salarial entre gêneros pelo segundo ano seguido. Como pessoas de dentro da empresa controlam os direitos de voto por meio de classes especiais de ações, as propostas não serão aprovadas, mas atraem mais atenção para o assunto.

No ano passado, quase metade dos investidores de fora votou favoravelmente à proposta no Google, segundo Natasha Lamb, diretora de engajamento de acionistas da Arjuna Capital, que apresentou proposta conjunta com a Proxy Impact e a The Sustainability Group. Mas a união angariou apenas 12 por cento dos direitos a voto porque as ações especiais são controladas pela diretoria. A proposta pedia uma medida da desigualdade salarial entre gêneros que incluísse salário base, bônus e recompensas em ações se possível, além do compromisso de reduzir qualquer desigualdade encontrada.

No Facebook a proposta da Arjuna também fracassou. Ela irá a votação novamente na assembleia anual da empresa deste ano. "O Facebook entra na categoria dos retardatários, juntamente com o Google, no que diz respeito a realmente revelar seus números de desigualdade salarial", disse Lamb. Sandberg "não é mais do que uma hipócrita em relação à igualdade salarial entre gêneros -- não há números, não há responsabilização, não há uma liderança autêntica."

Lori Matloff Goler, diretora global de Recursos Humanos do Facebook, disse que há muitos anos a empresa construiu sistemas para garantir que homens e mulheres tenham salários iguais. Ela disse no ano passado que a empresa não tinha nenhuma desigualdade salarial entre gêneros e reiterou a afirmação na semana passada.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos