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Como as empresas podem economizar com turnos de seis horas

Rebecca Greenfield

(Bloomberg) -- Em fevereiro, após quase dois anos trabalhando seis horas por dia, as enfermeiras do centro de cuidados de idosos Svartedalens em Gotemburgo, na Suécia, voltaram a fazer turnos de oito horas -- apesar de as pesquisas recentemente publicadas mostrarem os benefícios da redução das jornadas de trabalho.

A prefeitura de Gotemburgo não prolongou o experimento em parte porque o financiamento acabou. Contratar os 17 funcionários extras necessários para cobrir as lacunas criadas pelos turnos mais curtos custou cerca de 12 milhões de coroas suecas (US$ 1,3 milhão). A cidade tinha previsto um orçamento apenas para dois anos e os legisladores consideraram que implementar o projeto no município inteiro ficaria muito caro.

Assim, por enquanto, o projeto chegou ao fim. No entanto, existem economias de longo prazo que o estudo não levou em conta. Trabalhar menos horas por dia melhorou a saúde das funcionárias, concluiu o pesquisador Bengt Lorentzon em um novo artigo acadêmico. "Elas estavam menos cansadas, adoeciam menos e tinham mais energia quando voltavam para casa e mais tempo para fazerem atividades", disse Lorentzon.

Mais especificamente, as enfermeiras tiraram menos dias de licença médica do que quando trabalhavam oito horas por dia. As licenças médicas também diminuíram na comparação com os enfermeiros do grupo de controle. Na verdade, elas tiraram menos dias de licença médica do que todos os enfermeiros de Gotemburgo.

Outros benefícios

O estudo detectou benefícios para a saúde e a produtividade, mas não mediu a possível economia de custos com enfermeiras mais saudáveis no longo prazo. Mas uma coisa é clara, segundo Lorentzon: a melhoria da atitude e da saúde resultou em um atendimento de melhor qualidade no lar dos idosos.

Funcionários mais saudáveis gastam metade em cuidados de saúde, concluiu um novo estudo publicado em Mayo Clinic Proceedings. Na análise de 10.000 funcionários em um sistema de saúde na Flórida, EUA, pesquisadores descobriram que os que tinham uma saúde cardiovascular "ideal", segundo a medida Life's Simple 7 da American Heart Association, gastavam US$ 4.000 a menos por ano em atendimento à saúde do que os que tinham uma saúde cardíaca "deficiente".

"Uma análise mais completa [da Suécia] deveria incluir os benefícios do experimento", disse Eduardo Sanchez, um dos autores do estudo nos EUA e diretor médico de prevenção da American Heart Association. "A pergunta é: o que mediram em termos de custos e o que foi e não foi incluído?"

O experimento de Svartedalens não calculou a economia de custos de saúde que significam enfermeiras mais saudáveis, e muito menos as economias a longo prazo.

Nos EUA, algumas empresas gastam centenas de dólares por funcionário em programas de bem-estar no espaço de trabalho, na esperança de economizar em atendimento à saúde e de manter a produtividade, mas entendendo que o dia de trabalho de oito horas deveria ser considerado no melhor dos casos como um mínimo.

Talvez a solução não sejam os desafios de caminhada e as competições de dietas, mas trabalhar menos horas por dia.

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