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Força do mercado de trabalho não melhora salários nos EUA

Shobhana Chandra

(Bloomberg) -- O aumento dos salários nos EUA tem se estabilizado, contrariando expectativas de que a queda consistente da taxa de desemprego levaria a uma aceleração sustentada dos ganhos dos trabalhadores.

A culpa é da produtividade decepcionante e da ociosidade que permanece mesmo com a taxa de desemprego em 4,5 por cento, o menor nível em quase 10 anos.

O último relatório oficial mostra que a taxa de subemprego - uma métrica mais ampla porque inclui trabalhadores com vínculo marginal e pessoas que trabalham menos horas do que gostariam - também vem diminuindo, embora ainda esteja acima do que se observava antes da recessão de 2007-2009.

Há outros dados desanimadores. Um índice que mede a disposição das pessoas de saírem de seus empregos voluntariamente por estarem confiantes que podem encontrar posição melhor recuou em fevereiro para 2,1 por cento, dentro da média observada desde o final de 2015. Um giro mais rápido implicaria que as pessoas estão dispostas a tentar ganhar mais porque a demanda excede a oferta de trabalhadores.

A fraqueza da produtividade também influencia a resistência dos empregadores em adoçar os holerites. Considerando que as empresas estão contratando muita gente e a produção está crescendo lentamente, essas firmas tentam proteger seus lucros em um ambiente em que é difícil elevar preços. Ao longo dos últimos cinco anos, o aumento médio da produtividade ficou em 0,7
por cento por trimestre, o ritmo mais lento desde período similar encerrado em 1982. Isso "certamente está contendo" ganhos salariais, afirmou Joseph LaVorgna, economista-chefe para os EUA da Deutsche Bank Securities, em relatório enviado a clientes.

Janet Yellen, a presidente do Federal Reserve (banco central dos EUA), afirmou que a baixa produtividade é um "problema significativo" e que os motivos por trás do quadro não estão claros, atrapalhando previsões sobre quando haverá recuperação.

Outro obstáculo é o fato de as empresas normalmente reajustarem salários pelo menos pela taxa de inflação, que apenas começou a se mexer após anos de resultados persistentemente baixos, disse o economista Ryan Sweet, da Moody's Analytics. Em alguns segmentos, sindicatos e grupos trabalhistas podem usar a aceleração da inflação para negociar reajustes maiores. Obviamente a inflação maior também reduziria a renda real de todos.

São bastante dispersas as previsões sobre a magnitude e o cronograma da aceleração dos aumentos salariais. Profissionais da Capital Economics ressaltam que a parcela de pequenas empresas que pretendem elevar a compensação é consistente com o crescimento anual do salário médio por hora na direção de 3,5 por cento até o fim do ano. No Bank of America Merrill Lynch, a projeção é de 3 por cento no começo de 2018. A partir do nível atual, isso significa ganhos adicionais modestos no resto de 2017.

A melhora dos salários ainda não chegou a todos os setores. Em março, por exemplo, o salário médio por hora no ramo de serviços de negócios e profissionais teve o segundo maior aumento mensal desde o início dos registros, em 2006. Sem o salto de 0,9 por cento no mês passado, o crescimento geral dos salários teria ficado inalterado, de acordo com o economista Robert Rosener, do Morgan Stanley. Pior ainda, "o crescimento dos salários em uma variedade de setores talvez esteja se estabilizando ou até se desacelerando", alertou Rosener em relatório divulgado na semana passada.

Enquanto isso, as sondagens de confiança do consumidor mostram otimismo disseminado sobre o aumento de salários no futuro.

Apesar de tantas esperanças, o desempenho de fato dos salários é o que conta para os gastos das famílias e para a economia como um todo.

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