Pressão de reguladores pode acelerar êxodo de bancos no Brexit

John Glover e Richard Partington

(Bloomberg) -- Reguladores europeus e do Reino Unido correm o risco de inadvertidamente acelerar a saída de algumas operações bancárias de Londres, ao pressionar os bancos para fazerem planos detalhados para o pior cenário possível do Brexit, segundo pessoas com conhecimento do assunto.

Executivos do setor financeiro estão preocupados com a possibilidade de que as exigências do Banco da Inglaterra (BOE) e do Banco Central Europeu (BCE) para a apresentação de planos de contingência completos provoquem a transferência de atividades de Londres para o continente europeu, disseram essas fontes, que pediram para não serem identificadas porque o assunto é sigiloso. Com o Reino Unido se preparando para sair da União Europeia (UE) até o fim de março de 2019, empresas que buscam manter o acesso receberam a recomendação de conseguir as aprovações necessárias para instalar uma filial a tempo.

A pressão ilustra o delicado equilíbrio buscado pelos reguladores para assegurar a existência de planos que mantenham a estabilidade financeira sem pressionar os bancos a transferirem alguns negócios. A Autoridade de Regulação Prudencial do BOE enviou um comunicado aos bancos e outras instituições financeiras dando um prazo até 14 de julho para a apresentação dos planos, enquanto o BCE informou na semana passada que a emissão de uma licença bancária pode levar até seis meses.

"Vamos ver uma aceleração da atividade real em torno desses planos de projeto", disse Andrew Gray, chefe da unidade Brexit para serviços financeiros do Reino Unido da PricewaterhouseCoopers em Londres. "Todos os reguladores estão aumentando suavemente a pressão sobre os conselhos e diretorias de filiais para que comecem a executar alguns de seus planos. As firmas podem não querer fazer isso, mas todas reconhecem que terão de fazer."

Ao pressionar as empresas a atualizar ou completar seus planos de contingência, os reguladores correm o risco de antecipar a implementação desses programas onde a empresa vir alguns benefícios em ser a primeira a se mexer. Essas vantagens podem ser em termos de conseguir um espaço disputado para um escritório na cidade de escolha na zona do euro, bem como em termos de mudança e corte de funcionários.

A incerteza aumenta com o relativo limitado período de preparação para o resultado das negociações entre o Reino Unido e a UE, segundo Rob Aird, sócio do escritório de advocacia Ashurst.

"A menos que haja um pronunciamento muito claro em um espaço de tempo bem curto sobre como será o programa de transição, as pessoas irão se apressar para começar a arrumar as coisas", disse Aird. "O risco é de que não haja clareza até o término das eleições da Alemanha em setembro."

Um funcionário do Banco da Inglaterra não quis comentar. Um porta-voz do BCE destacou a orientação inicial de que a apresentação dos planos ajudará a assegurar que um pedido de licença seja processado "da melhor maneira possível".

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