Reino Unido amplia investigações sobre informação privilegiada

Suzi Ring

(Bloomberg) -- De pilhas de dinheiro distribuídas em restaurantes indianos a telefonemas na madrugada para aparelhos descartáveis, a negociação de instrumentos financeiros com informação privilegiada sempre gera interesse. E, ao que tudo indica, o Reino Unido vai gerar mais noticiário após a abertura de um número recorde de casos no ano passado.

A Autoridade de Conduta Financeira (FCA, na sigla em inglês) iniciou 70 investigações ligadas ao uso indevido de informações privilegiadas em 2016, mais que o dobro do total de qualquer ano na última década, de acordo com dados obtidos pela Bloomberg News com base na lei de liberdade de informação. Anteriormente, o maior número de casos abertos em um período de 12 meses era 29, em 2012.

O número de casos aumentou após Mark Steward ter assumido a diretoria de supervisão há 18 meses. Ele veio da autoridade financeira de Hong Kong, onde foi pioneiro nos processos por acusações de insider trading na região. Em Londres, seu alcance é amplo. Ele tem analisado o maior número de dicas possível, independentemente do resultado, segundo funcionários e ex-funcionários da FCA. A agência já abriu 23 investigações nessa linha em 2017.

O sucesso nessa área é exceção nos quatro anos de existência da FCA. Na terça-feira, a agência publicou um comunicado com sua "missão", listando prioridades. Foi um passo para deixar para trás fracassos do passado - incluindo uma entrevista coletiva mal conduzida que derrubou ações de seguradoras - e começar de novo sob Andrew Bailey, que assumiu a presidência em julho.

"É tudo uma questão de recurso", disse o advogado Neill Blundell, do escritório londrino Eversheds Sutherland, que representa clientes que enfrentam investigações da FCA. "Se a agência for longe demais e investigar coisas pequenas e grandes, há risco de perder o fator desestimulante se os desfechos ficarem menos focados e fizerem sentido para menos gente."

Entre seus triunfos dos últimos 12 meses, a agência condenou funcionários da BlackRock, do Deutsche Bank e da Schroders. A maior investigação sobre insider trading no Reino Unido, conhecida como Operação Tabernula (pequena taverna, em latim), resultou em cinco condenações, sendo que dois homens foram considerados culpados em maio após um julgamento em Londres que durou quatro meses.

O inquérito, que trouxe à tona encontros clandestinos em restaurantes indianos, também resultou na maior sentença já proferida para esse crime no Reino Unido, de quatro anos e meio. A pena máxima por insider trading é de sete anos.

O caso Tabernula pode não se manter como o maior de sua categoria na história britânica por muito tempo. Três funcionários do setor bancário foram presos no ano passado como parte de uma investigação que pode se tornar a maior já vista, segundo pessoas a par da situação que conversaram com a Bloomberg em novembro. A FCA está trabalhando com a Agência Criminal Nacional, que ajudou com vigilantes à paisana.

Steward se recusou a ser entrevistado para esta reportagem. A agência alterou a forma de classificação dos casos em março de 2013. Antes, a investigação de uma instituição e seus funcionários contava como um mesmo inquérito. Desde 2013, a contagem é feita separadamente.

Durante a entrevista coletiva sobre o plano anual, na terça-feira, a FCA avisou que divulgará mais informações neste ano sobre a direção estratégica de seus esforços para garantir o cumprimento da lei.

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