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Bradesco abre escritório em Miami para clientes de alta renda

Felipe Marques e Cristiane Lucchesi

(Bloomberg) -- O Bradesco, segundo maior banco do Brasil em valor de mercado, está se juntando a concorrentes que abriram escritórios em Miami e procura explorar um montante multibilionário de dinheiro legalizado pelos brasileiros por meio do programa de anistia do governo federal.

O banco abrirá um escritório na cidade do sul da Flórida em julho para atender brasileiros ricos, disse Octavio de Lazari Jr, diretor gerente executivo do Bradesco, em entrevista na matriz do banco, em Osasco.

Miami é um dos principais destinos para diversos brasileiros devido à proximidade com a América Latina, à identidade cultural e ao clima semelhante. Instituições financeiras brasileiras como Itaú Unibanco, BTG Pactual e XP Investimentos já possuem escritórios na cidade.

Mas um programa recente de anistia fiscal do governo brasileiro criou novas oportunidades porque muitos investidores levaram suas fortunas agora legalizadas de paraísos fiscais para Miami.

O Brasil aprovou uma lei no ano passado que permite que cidadãos e empresas revelem ativos não declarados mantidos no exterior. Após o pagamento de uma multa e de impostos, eles podiam manter esses ativos fora do país ou repatriá-los.

O programa foi encerrado em 31 de outubro e mais de 25 mil indivíduos e 103 empresas declararam um total de US$ 52,3 bilhões em depósitos estrangeiros, segundo a Receita Federal. A segunda fase do programa será iniciada neste ano.

"Menos de 30% do dinheiro legalizado no programa de anistia fiscal brasileiro veio para o Brasil", disse Lazari.

Custos europeus

Parte do restante está sendo levado para Miami.

"Os custos para manter uma conta aberta em Miami para um cliente de alta renda são menores do que na Europa", diz Carlos Gribel, chefe de renda fixa da Andbanc Brokerage em Miami. Os clientes brasileiros também estão enviando uma parcela maior de seus investimentos para o sul da Flórida porque possuem residência lá ou porque vão muito para lá de férias, disse ele.

João Albino Winkelmann, diretor de private banking do Bradesco, disse que previa que o programa de anistia fiscal transformaria 2016 em um ano de sucesso do setor de gestão de patrimônio no Brasil porque os clientes repatriariam recursos.

"Eu estava errado", disse Winkelmann em entrevista. "Foi o contrário: muitos clientes até se desfizeram de seus investimentos no mercado local para pagar os impostos e multas para declarar os ativos estrangeiros, e depois os mantiveram no exterior."

Edison Antonelli será o gerente-geral do escritório do Bradesco em Miami, Luiz Alberto Attarian será diretor de private banking e um terceiro executivo será nomeado nos próximos meses, segundo o banco. O Bradesco, que já possui unidades de private-banking em Nova York, Luxemburgo e nas Ilhas Cayman, também transferiu Vanessa Leoni como assessora de investimentos para o escritório de Londres.

O impulso no exterior vem na esteira da aquisição da unidade brasileira do HSBC Holdings pelo Bradesco, no ano passado. "A demanda por um escritório em Miami sempre existiu, mas a aquisição do HSBC nos incentivou a ser mais internacionais", disse Winkelmann.

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