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Empresas britânicas têm grande diferença salarial entre gêneros

David Hellier e Laura Colby

(Bloomberg) -- As empresas britânicas se preparam para revelar a desigualdade entre os salários de homens e mulheres e os primeiros relatórios de algumas empresas mostraram disparidades de até 36 por cento -- diferença duas vezes superior à média nacional.

O Virgin Money revelou que os homens que trabalham no banco ganham em média 36 por cento a mais que as mulheres. Na gestora de ativos Schroders, a disparidade é de 31 por cento. A Utility SSE reportou uma desigualdade salarial de 23,4 por cento e a consultoria PwC informou que descobriu uma diferença de 15 por cento nos ganhos.

As empresas revelaram os números antes de uma nova lei que exigirá que as empresas calculem a diferença entre a média e a mediana do salário por hora de todos os funcionários homens e mulheres, com e sem bônus. Todas as empresas serão obrigadas a publicar os resultados de suas análises de desigualdade salarial em seus websites até abril de 2018, uma medida que, segundo seus defensores, ajudará a diminuir o abismo observado nas remunerações.

A disparidade salarial nacional é de pouco mais de 18 por cento, segundo estatísticas do governo. No entanto, a média é contundente e reflete uma série de fatores, incluindo o fato de que os homens detêm uma parcela maior dos cargos de nível sênior e dos trabalhos mais bem remunerados. Em todo o Reino Unido, as mulheres detêm 60 por cento dos empregos mais mal remunerados, enquanto os homens respondem por 60 por cento dos postos com maiores salários, segundo dados da Confederação da Indústria Britânica (CBI, na sigla em inglês).

Funções

"A forma como homens e mulheres são segregados em diferentes funções é o motivo principal da disparidade salarial entre gêneros", disse Andrew Chamberlain, economista-chefe do Glassdoor. O site de busca de empregos utiliza dados autodeclarados de milhares de candidatos a empregos, depois analisa o título do emprego, a experiência, a escolaridade e outros fatores para entender como homens e mulheres com formações similares são pagos.

Após ajuste por esses fatores, os homens britânicos ainda ganham 5,5 por cento mais do que as mulheres, contra uma diferença de 5,4 por cento nos EUA, disse ele.

A CBI se opôs às novas regras argumentando que os números não oferecem um panorama completo e que existem muitos motivos para a disparidade salarial, muitos deles fora do controle das empresas.

Mesmo assim, os trabalhadores britânicos apoiam a revelação. Em uma pesquisa realizada pelo Glassdoor, 58 por cento afirmaram que o governo deveria forçar os empregadores a revelarem os salários para combater a desigualdade salarial entre gêneros. Os acionistas também começaram a pressionar as empresas a revelarem -- e a diminuírem -- a disparidade salarial entre homens e mulheres. As empresas que forem capazes de fazê-lo terão uma vantagem tanto com os investidores quanto no recrutamento.

"A maioria das mulheres bem qualificadas não vai querer trabalhar em uma empresa com números ruins -- será um fator desmotivador", disse Avivah Wittenberg-Cox, que presta consultoria sobre diversidade a empresas multinacionais. "As companhia precisam adaptar suas culturas a um mundo mais equilibrado em termos de gênero."

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