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Empresa de suéter desmantela cartel de cashmere

Troy Patterson

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(Bloomberg) -- Em 2012, Matt Scanlan, fundador e CEO da Naadam Cashmere, era apenas um jovem estudante da Universidade de Nova York insatisfeito com seu emprego em uma empresa de capital de risco.

"Após alguns anos atuando como analista -- um trabalho muito ingrato --, fui embora", diz ele. "Uma semana depois de sair, reservei um voo" para Ulaanbaatar, capital da Mongólia, para visitar um amigo da universidade que morava na região. Os dois encontraram com um repórter de um jornal da cidade de Scanlan, Westport, Connecticut, EUA, e logo fizeram amizade com algumas fontes do jornalista: pastores nômades de cabras.

Scanlan aceitou o convite dos pastores para visitar o campo com eles com o espírito de alguém prestes a fazer uma viagem para um acampamento de fim de semana. Quanta ingenuidade. "Acabamos dirigindo por 20 horas seguidas", conta Scanlan sobre sua aventura. "Fiquei preso no deserto de Gobi durante um mês dormindo no chão de uma tenda e comendo carne de cabra e marmota, que é uma iguaria."

O período foi mais do que suficiente para desenvolver um gosto pela cultura da pradaria -- mesmo se, até hoje, Scanlan não seja capaz de apontar precisamente no mapa o lugar que abruptamente se transformou em sua casa.

A cultura local era rica -- o nome Naadam é uma referência a um festival esportivo local de Ulaanbaatar. A agricultura também tinha carisma. "As cabras têm personalidade", diz Scalan. "Se [os pastores] têm um rebanho de 300 cabras, eles sabem o nome de cada uma delas."

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Inicialmente ele trabalhou com uma organização não-governamental para estimular o desenvolvimento da região, mas Scanlan descobriu que suas tentativas eram minadas na temporada comercial por investidores de cashmere que fixavam preços em um mercado sem regulamentação.

"Ele é o que fica com a maior margem", diz Scanlan sobre um dos investidores. "Nós achamos que aquilo era injusto -- além disso, prejudicava o trabalho que estávamos fazendo." Sua solução empreendedora foi, efetivamente, desmantelar o cartel de cashmere e construir uma cadeia de abastecimento mais conscienciosa.

Na Mongólia, a Naadam compra a fibra diretamente dos pastores e trabalha com organizações sem fins lucrativos para oferecer cuidados veterinários às cabras. Na Itália, onde a fibra é transformada em fio, a empresa garante que o processo não envolva danos ambientais usando energia limpa e eliminando efeitos posteriores.

E se a sensação de vestir esses casacos e camisetas é como um sonho, a empresa continua oferecendo um lembrete de seus valores na etiqueta. Oitenta e cinco por cento das lavagens a seco "usam um produto químico tóxico chamado percloroetileno que está ligado a problemas respiratórios", diz a etiqueta, como um pedido para que a roupa seja lavada à mão ou com detergentes orgânicos. "Evite o serviço padrão de lavagem a seco."

Nas próximas semanas, a Naadam complementará suas linhas de roupas masculinas e femininas com novos produtos para bebês e roupa de cama, incluindo "uma manta com um quilo de cashmere por US$ 300".

Os produtos serão lançados durante a volta de Scanlan à Mongólia. "Iremos daqui a algumas semanas e construiremos uma cerca", diz ele, explicando que o rejuvenescimento das áreas de pastoreio gera benefícios para o clima global.

A abordagem ambiental desse modelo de negócio torna possível que os produtos tenham um impacto limitado nas carteiras dos clientes. "Nós oferecemos a qualidade da Loro Piana com os preços da J. Crew", diz Scanlan, usando um slogan praticado, que depois modificou. "Na verdade, vendemos mais barato."

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