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Merkel busca com Ivanka canal alternativo a Trump

Patrick Donahue e Arne Delfs

(Bloomberg) -- Uma delas é uma ex-física de 62 anos que cresceu em uma casa paroquial luterana na Alemanha Oriental. A outra é uma empresária cujo pai, um bilionário construtor imobiliário, a levou de Manhattan à Casa Branca.

Apesar de aparentemente Angela Merkel e Ivanka Trump não terem muito em comum, a chanceler da Alemanha tenta se aproximar da filha do presidente dos EUA, Donald Trump -- agora assessora da Casa Branca --, em busca de um canal alternativo para tentar moderar as políticas dele. Ao dividirem o palco na terça-feira, em uma conferência em Berlim sobre empoderamento feminino, Ivanka Trump expressou humildade em relação a seu novo cargo.

"Estou pouco familiarizada com esta função, que é bastante nova para mim", disse Ivanka, que viajou à capital alemã em sua primeira visita como enviada presidencial. "Obrigada, chanceler, por seu amável convite. É uma honra estar aqui com tantas líderes formidáveis. Estou escutando e aprendendo."

Com as políticas do governo dos EUA ainda indefinidas, uma boa ligação entre Ivanka Trump e Merkel, capaz de vencer o abismo entre suas histórias de vida, pode dar o tom das futuras relações entre os EUA e a Europa. Merkel ficou impressionada com a seriedade de Ivanka Trump em relação a questões globais quando se reuniram pela primeira vez, na Casa Branca, em março, e espera que ela seja uma forma de conseguir de influência, segundo três funcionários do governo alemão. Isso pode ajudar a chanceler a lidar melhor com a imprevisibilidade do presidente e com suas mudanças nas políticas.

"Isso é típico de Merkel: ela trabalha com o que tem à disposição", disse Andrea Roemmele, professora de Ciências Políticas da Escola de Governança Hertie, em Berlim, por telefone. Considerando a proximidade de Ivanka Trump com o presidente, a estratégia de aproximação de Merkel "é muito inteligente", disse Roemmele. "É o que se chama de Realpolitik."

Farpas com Trump

Uma relação funcional com Trump é crítica para Merkel para defender os interesses alemães no comércio, garantias de segurança para a Europa e relações com a Rússia em um momento em que ela busca a reeleição para um quarto mandato, em setembro. Após a viagem de sua filha a Berlim, Donald Trump deverá se encontrar com Merkel na Europa em maio para reuniões do Grupo dos Sete e dos líderes da Otan. Depois, em julho, Merkel receberá Trump e seus pares do Grupo dos 20 para uma cúpula em Hamburgo.

Trump e Merkel tiveram suas diferenças devido aos pedidos dele para que a Alemanha aumente seu gasto com defesa. Além disso, o presidente dos EUA criticou a política de imigração de Merkel, que chamou de "erro catastrófico". Contudo, depois que se reuniram, ambos pareceram desenvolver uma relação que contrastou com alguns dos comentários públicos do presidente americano sobre a Alemanha.

"É curioso: uma das melhores químicas que tive foi com Merkel", disse Trump, em entrevista à Associated Press na semana passada. Ele disse que não esperava ter uma boa relação com a chanceler "porque, bem, não concordo com os pagamentos à Otan e não concordo com a política de imigração. Mas tivemos uma química incrível."

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